Amantes do Trance

R.A.V.E.

 

Surpreendo-me todos os dias com os intermináveis caminhos que podemos tomar. Olhando atrás no tempo, para uma época em que o trance ainda não tinha abraçado o melhor em mim, em que raves e festas no mato eram ‘para os mais velhos’, vejo que, de alguma forma, numa viagem muito turbulenta e parecendo totalmente diagnosticada com ‘escolhas erradas’ no final provou que tudo estava mais que certo, não foram escolhas, foram caminhos que inevitavelmente me conduziriam aqui.

 

A caminho de mais uma rave – espera, não ‘mais uma rave’, mas sim A Rave, porque são todas A Rave, todas diferentes do line-up ao design, da produção e animação, das condições geográficas, atmosféricas e até demográficas... sinceramente, são sempre Únicas: experiências pessoais e intransmissíveis.




Aproxima-se a INDIGO GENERATION 4, sim? Esta marca talvez o final do ano letivo para muitos, ou até a verdadeira chegada do verão. A minha opinião? Este evento marca exclusividade. Porque além de ser tão longe que, simplesmente, não é para todos, além de ter um line-up incrível... Tenho que dar um parágrafo a isto, aguentem o à parte (é motivado por amor):

 

Contamos com KINDZADZA, que nos deu o enorme prazer no 14º aniversário da Crystal Matrix do ano passado e desde ‘pele de galinha’ à possibilidade de ir a mundos infinitos numa submersão pelos confins da terra - como se fossemos agarrados não pelos ramos das árvores mas diretamente pelas suas raízes e resgatados da nossa inocência humana até devagarinho habitarmos a terra como toupeiras e sermos injetados com inimagináveis ruídos que só a alma das árvores da impenetrável e escura floresta conhecem.

Em outros modelos, PROTONICA, que nos deixou um fabuloso set no OZORA 2017, assim como uma participação também radiante no ano anterior a este. Talvez perfeito para sorrir do início ao fim, imaginando pisar o dance num set como este imagino a alegria de ter plena consciência que ‘estou aqui, este é o mundo certo para mim’, e sim, dançar para umas colunas com o dobro do meu tamanho, ainda por mais no meio do mato, com pessoas vestidas e despidas em todas as cores e feitios possíveis pode ser complicado para os que vivem na superfície, mas alegro-me de pertencer aos céus como às profundezas e saber, perfeitamente, quando e onde aterrar e deixar-me boiar na superfície do mundo: existe melhor razão para sorrir sem razão?

ANANDA SHAKE, algo que anseio, ANSEIO SENTIR, embrenhar-me por ali dentro e deixar-me levar por uma odisseia em som. Daqueles sets para estar no dance antes, preparar o que tiver que ser preparado: com ou sem sapatos; e dançar, dançar, dançar dançar. Deixemos este set ser como combustível para uma fabulosa viagem de foguetão – acho que se só repararmos que o set terminou dois ou três set depois é porque estivemos no caminho certo.

Além disso, SYMBOLIC, KLIMENT, MIDDLE MODE, RELATIV, Z-CAT, PROXEEUS, REZONANT, ONCE UPON A TIME, JESUS RAVES, V SOCIETY são os nomes que vêm de outras geografias dar-nos a adrenalina e harmonia (quem imaginaria que estes conceitos seriam amantes, só no trance).

A-TECH, KHOPAT, ALIENN, MIMIC VAT, KIN, MRMP VS IVOLUSION, GUAPA LEE, SETIDAT, PLURGRIM, JAHGALI, CRAZY SCIENTIST, os nossos: tão nossos, gratidão!

 

...e, claro, é exclusivo porque é a Ilha do Ermal! Deixem-me voar até Braga, porque todo o Amante do Trance já viveu as maiores aventuras e mais extremas condições de dificuldade para chegar a um dance, e submeter-me à mercê daquele dance.

 

Aproveitando um post da Silva Lucy, umas palavras sobre R.A.V.E, como acrónimo:

 

RESPEITO. Um conceito que pode salvar vidas, salvar o mundo e salvar-nos como indivíduos. Respeito é algo que temos desde o momento da nossa existência ao momento da nossa partida, porque inevitavelmente respeitamos a nossa existência, nunca conheci ninguém que parasse de respirar porque perdeu o respeito ao funcionamento do corpo. Apenas porque não entendemos estas pequenas funções como Respeito não significa que não o sejam.

Respeito, para efeitos deste texto, é não perturbar o outro sem o seu consentimento, é respeitar a sua existência, a sua vida, a sua história (mesmo a que não conhecemos), o seu direito a pertencer aqui e, acima de tudo, a sua liberdade. Além disso, o chão que pisamos, o trabalho da organização, a natureza que nos rodeia (e convém salientar que LIXO, fora o caroço da fruta, não faz parte da natureza) e o TRABALHO DA ORGANIZAÇÃO.

 

AMOR. Um conceito que SALVA VIDAS, que GERA VIDA, que nos permite sermos livres, felizes, que nos faz sorrir e querer sair da cama e, no final, é o verdadeiro motivo pelo qual dançamos, porque até nos momentos mais negros em que sentimos que estamos a “fazer para esquecer” o ato de querermos esquecer algo é amor, é por amor que fazemos tudo o que fazemos mesmo nas maiores injustiças, porque o conceito de amor é vasto e serve qualquer pele.

 

VIDA. Portanto, o simples ato de ser e estar – é assim tão simples? Vida é uma dimensão tão grande que engloba todos os organismos, todos os seres, tudo o que é Terra e Além. Vida é uma dimensão cósmica de existência e, sem dúvida, uma consciência presente em todos. Procuremos proporcionar uma vida boa a todo e qualquer organismo que nos rodeie.

 

EXPERIÊNCIA. E não é por isto que fazemos o que fazemos? Foi tão contagiante a primeira experiência como é talvez a centésima e a milésima. Alguém sabe ao certo a quantas raves, festivais e festas já foi? Seria um bom desafio pessoal, nem que seja para festejar de forma especial os grandes números.

 

De qualquer forma, a Indigo Generation 4 promete ser uma experiência perfeita.

Desejo a todos uma boa viagem, felicidade, amor, adrenalina e harmonia.

Artigo de Maria Rebelo
Foto de Cristiano Fernandes Photography

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