Amantes do Trance

O SEGREDO PARA UMA VIDA FELIZ:

As lições do estudo mais longo acerca da felicidade!

Durante a nossa vida, somos aconselhados a priorizar o trabalho, de forma a que nos esforcemos para obter cada vez mais e melhores resultados. Quase somos convencidos de que essas são as nossas prioridades, isto é se que queremos ter uma vida boa e feliz. E quando no final olhamos para trás, contamos apenas alguns períodos de plena felicidade. Saberemos de fato o que nos deixa felizes e saudáveis ao longo da vida?

A maneira como encaramos as nossas vidas reflete-se nas nossas escolhas. Se  perguntarmos a adolescentes qual o principal objetivo de vida, a maioria dirá: trabalhar muito para ganhar muito dinheiro ou tornar-se famoso. Conseguir acompanhar e documentar vidas enquanto estas se desenrolam no tempo, desde a adolescência até à velhice, parece uma ideia interessante. Contudo, até há algum tempo poderíamos apenas confiar na memória autobiográfica, que é por vezes demasiado criativa.




O estudo de desenvolvimento adulto de Harvard é talvez o estudo mais longo sobre a vida adulta. Desde 1938,  na altura ainda adolescentes, 724 homens entraram no estudo divididos em dois grupos, sem saber como seriam as suas vidas no futuro. O primeiro grupo iniciou o estudo quando eram finalistas da Universidade de Harvard, sendo que após terminar a universidade foram servir na 2ª Guerra Mundial. O segundo grupo eram rapazes provenientes de bairros pobres de Boston, muitos sem água quente. Independentemente do grupo a que pertenciam, todos foram entrevistados e fizeram exames médicos ano após ano, ao longo dos 80 anos do estudo. Quando cresceram alguns tornaram-se médicos, outros advogados, pedreiros, cozinheiros e um deles até presidente dos EUA. Alguns tornaram-se alcoólicos. Outros esquizofrénicos. Alguns subiram na vida até ao topo, outros fizeram o caminho contrário.

Apenas 60 dos 724 homens do grupo inicial estão vivos. Hoje, o estudo conta com a participação não só das esposas mas também dos cerca de 2 000 filhos, compreendendo não só uma população maior, mas também com a história familiar bem documentada.

Mais importante que perceber o trajeto de vida de cada uma destas pessoas, é perceber que lições tiramos dos milhões de páginas escritas com respostas aos questionários passados ano após ano. Não são lições sobre dinheiro, fama ou que devemos trabalhar arduamente. A mensagem mais clara deste estudo é que: bons relacionamentos deixam-nos saudáveis e felizes. E não só...

1ª -  A solidão mata! As relações sociais são muito boas para nós. As pessoas mais conectadas socialmente com família, amigos e comunidade, são mais felizes, fisicamente mais saudáveis e vivem mais.

2ª - Não é o número de amigos, ou se estamos numa relação séria, mas sim a qualidade dos relacionamentos mais próximos que importa. Viver próximo de relações tóxicas prejudica a nossa saúde. Viver no meio de relações boas e reconfortantes protege-nos. Quando os investigadores a meio do estudo tentaram prever como envelheceriam os participantes, não foram os níveis de colesterol que ditaram tendências. Foi o quão estavam satisfeitos com os seus relacionamentos. E aquilo que verificaram é que as pessoas mais satisfeitas com os seus relacionamentos aos 50 anos, eram os mais saudáveis aos 80 anos.

Boas relações não protegem apenas os nossos corpos, mas também os nossos cérebros! Ter uma relação íntima e saudável com alguém, é algo protetor. Saber que podemos contar com alguém em caso de necessidade faz até com que as memórias sejam preservadas mais tempo. Estes relacionamentos não têm que ser tranquilos o tempo todo, desde que ambos sintam que podem realmente contar com a outra pessoa se houverem momentos difíceis.




Mas estas mensagens de que as relações próximas e saudáveis são boas para saúde e bem-estar não são recentes. Será que nos é assim tão difícil de assimilar ou fácil de ignorar estas lições? Talvez uma boa explicação para que isso aconteça é porque somos humanos. E porque as relações bem sucedidas entre pessoas são fruto de trabalho duro. E para a vida toda. Sem cessar.

Então e tu? Nos teus 20, 35 ou 50 anos, que tal investires um pouco mais em tempo de qualidade com o quem te rodeia? Podes começar por deixar de lado o telemóvel quando vais tomar o café com aquele amigo, ou animar a relação adormecida propondo algo novo para fazerem. Ou até entrar em contato com aquele membro da família que já não falas há anos. As desavenças familiares são demasiado comuns, e têm um efeito demasiado terrível na pessoa que guarda os rancores. Invistam em vocês e na vossa vida. Nas vossas relações.

“Não há tempo. Tão breve é a vida para discussões, amarguras, desculpas e pretação de contas. Só há tempo para amar e mesmo para isso temos apenas um instante.”

Mark Twain

By Dr. Horus
Foto de Kharmadelic Photography

Baseado na Ted Talk de Robert Waldinger "What makes a good life: Lessons from the longest study on happiness"

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