Amantes do Trance

Entrevistar com GANEISHA

1 – Olá, desde já obrigado por teres aceite, o nosso convite para participares neste evento onde queremos enaltecer todas as mulheres do nosso mundo. É um prazer para nós.

Gostaríamos que fizesses uma pequena apresentação sobre ti. (nome, idade, nacionalidade, cidade onde vives)

 

Olá e obrigada desde já pelo convite! Então, chamo-me Raquel, tenho 39 anos, sou portuguesa, natural de Évora, mas vivo no Porto há cerca de 12 anos.

  • Antes de mais, há quantos anos és Dj? E sempre no género de psytrance?

 

Faço este ano 18 anos que comecei como DJ de Psytrance, mas antes disso  já tinha começado a tocar em dois clubs em Lisboa, o Tocsin e o Disorder, onde tocava rock, metal , 80´s music, punk, etc; por isso a experiência começou um pouco por aí. Desde então tenho passado por vários estilos além do Psytrance; Downtempo, Chill Out, Dub, Minimal, Techno…apesar do Psytrance ser onde foco mais o meu trabalho, gosto de sair da zona de conforto e passar por outros estilos que também me preenchem a alma.

2 – Quando o mundo do psytrance aparece nas nossas vidas, generalizando, arrebata-nos e vai crescendo em nós. Recordas-te de como esta música/mundo chegou à tua vida? E que idade tinhas?

Recordo-me perfeitamente a primeira vez que entrei neste mundo, foi em 1998, tinha eu 17 anos. Fui á minha primeira festa nesse ano e fiquei completamente rendida, pela música e pela vibe que tudo aquilo transmitia.  Foi numa festa da Good Mood na Marateca e eu fiquei completamente fascinada. As cores, as pessoas, aquela música que entrava pela tua alma dentro e te fazia sentir coisas inexplicáveis! A partir daí a ansiedade era sempre muita quando se esperava pela próxima festa, pois naquela altura só havia uma para aí de 2 em 2 meses…e era sempre uma expectativa enorme. Fiquei apaixonada por aquele mundo até hoje.

3 – Recordas-te em que festa te estreaste como Dj? Dirias que essa foi a atuação que mais te marcou?

Sim, foi numa festa pequena, de amigos, e apesar de ser uma festa de amigos e intima, estava super nervosa e a tremer por todos os lados. A primeira vez nunca se esquece não é? E óbvio que nos marca sempre por isso mesmo. Não foi a que mais me marcou mas óbvio que está entre as que ficam sempre marcadas na memória e no coração.

4 – De contactos como artistas, produtoras, organizadores e outros, existem sempre alguns que se tornam importantes amigos ou mentores, gostarias de referir alguns?

Tenho a agradecer a tanta gente; labels, artistas, produtoras, amigos, inimigos, público; pois todos eles tiveram e têm a sua importância até hoje no caminho que percorro. Acima de tudo obrigada a quem apostou em mim no começo, a quem continua a acreditar no meu trabalho sempre. Obrigada por todas as criticas boas e más, é isso que faz um artista crescer e aprender, e a querer continuar. Tudo isto é importante para crescer, e é impossível referir apenas alguns , pois seria injusto para outros que também têm a sua importância neste caminho.

5- Quando estás em palco, quais são as emoções e pensamentos que mais tens presentes?

O amor que tenho por aquilo que faço é sempre algo que está presente. É a emoção maior! A de transmitir o meu amor pela música para quem está á minha frente.

Os pensamentos variam sempre, mas o desejo de que tudo corra bem em palco tecnicamente, que o “flow” do dj set funcione bem, é sem dúvida o pensamento mais presente. Que o público entre na história que tento criar sempre que subo ao palco, que se divirta, que dance, que seja feliz. Esses são os meus maiores desejos e pensamentos sempre.

Ainda hoje me sinto nervosa cada vez que subo ao palco, seja algo pequeno para 20 ou 50 pessoas, ou algo enorme para 10.000 pessoas uma pessoa tem sempre que dar o melhor de si, e acho que quando deixamos de sentir esse nervosismo e ansiedade é porque o que estás a fazer já não significa nada.

6- Gostarias de colaborar com algum artista em especial?

Ui, tantos! 😛 A lista é gigante!

E estou eternamente agradecida aos artistas com quem já colaborei até hoje, e com quem tenho partilhado tantas emoções e conexões dentro e fora do palco. Sem dúvida que muitas das boas memórias que tenho a tocar são dessas colaborações.

7- Quais são os seus três álbuns favoritos de todos os tempos?

Muito difícil responder a esta pergunta… porque eu tenho muuuuitos álbuns favoritos, e que não são só de Psytrance. As minhas influências vêm muito antes disso por isso fica difícil nomear apenas 3 álbuns em tantos anos de música. Mas talvez possa responder assim:

– The Prodigy – “The Fat of the Land”

– Infected Mushroom – “Classical Mushroom”

– The Doors – “ The Doors”

8- Tens algum próximo passo pensado para o teu projeto? O que se segue?

Bem, neste momento só gostava que o panorama cultural voltasse ao activo, visto estarmos todos parados devido a esta mudança radical que todos passamos.

Não acho de todo justo a cultura estar parada, especialmente os eventos de música ao ar livre e os clubs, que é algo que todos nós sentimos falta. Sentimos falta da alegria, do convívio, de dançar … e nós artistas, de actuar. É como se uma parte de nós nos tivesse sido arrancada e com a qual não conseguimos sermos nós por inteiro.

Homens e Mulheres, Seres humanos, devemos unir-nos para não deixar morrer e desaparecer algo que é necessário a todos nós, a liberdade de nos divertirmos, de convivermos um com os outros ,sem tantas proibições.

Exigimos respeito e que a cultura volte ao mundo!

Depois disto acontecer os meus próximos passos são continuar a tocar sempre que possa, tanto aqui em Portugal como lá fora. Realizar o sonho de tocar no Boom Festival, que poderia ter sido em 2020 mas que infelizmente foi adiado, não sabemos até quando; e acima de tudo continuar a fazer o que me faz feliz. Sinto muita falta de tocar, mesmo!

9- Se pudesses escolher qualquer lugar no mundo para tocar, onde seria?

Felizmente já tive a sorte de ter tocado em muitos sítios maravilhosos , tanto aqui em Portugal como lá fora, e é impossível escolher apenas um lugar, num mundo tão grande e tão bonito, e ainda com tanto para conhecer. Por isso, não sei… qualquer sitio onde me sinta feliz, rodeada de amigos e gente boa, já é o melhor sitio do mundo!

10- Obrigado por te juntares a nós nesta entrevista, queres deixar algumas palavras à comunidade psytrance portuguesa antes de terminarmos?

Obrigada por todo o carinho, apoio e amor transmitidos ao longo destes anos.

Infelizmente temos estado separados estes últimos tempos mas vamos ter esperança que o reencontro seja para breve. Continuem fortes, optimistas e valorizem muito aquilo que têm e que muitas das vezes tomamos por garantido.

Continuem com o vosso amor pela música e por tudo aquilo que faz a vossa alma feliz.

Muito amor e um até já <3

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