Amantes do Trance

Primeiramente agradecer aos Amantes do Trance pelo convite e pelo trabalho desenvolvido até agora que têm sido excelente. Que assim continue, com votos das maiores conquistas.

1- Como a música chegou à tua vida?
R: Desde muito cedo que o mundo da música me fascinou e sempre me acompanhou desde nascença, passava tardes inteiras trancado a ouvir na integra todos os vinys e cd’s que o meu pai tinha em casa, apaixonando-me de imediato pela percussão, sendo que até hoje a musica sempre foi um escape da vida quotidiana que nunca me abandonou e marcou todo o meu crescimento.
 
 
 2- Como surgiu o projecto Kybalion?

R: O projecto começou a ser pensado em finais de 2013, inícios de 2014, num tempo em que notei a falta de diversidade no nosso mundo da música electrónica underground, e cada vez mais se perdia o gosto por outro tipo de sonoridades.
Até 2016 investiguei profundamente o movimento a nível nacional e internacional a todos os níveis de forma a estruturar o projecto que assenta na perfeita dualidade entre dois estilos de certa forma opostos, criando uma simbiose extraordinária entre ambos.
 
 
3- Qual foi a festa em que te estreaste como DJ ?

R: Sou da opinião que um projecto seja no que seja têm de ser bem estruturado e pensado, e entre 2013 e 2015 estive presente nalgumas reuniões de amigos )aquilo a que gosto de chamar uma boa churrascada) para testar este novo conceito e perceber qual o feedback por parte do público, porém só em finais de 2016 é que o projecto Kybalion foi apresentado oficialmente na New Year Evolution (Zona Oeste).

 
4- Como foi o início da tua carreira?

R: Complicado, tal como ainda o é. Cada vez existe mais oferta e cada vez menos existe profissionalismo por parte dos artistas, o que faz com que haja uma sobrelotação enorme. O que aconteceu é que todos se querem afirmar mas poucos investem o seu tempo e o seu empenho na totalidade neste ramo e na verdade qualquer um chega a uma free-party e passa uma malhas. Continou a ser da opinião que profissionalismo e humildade serão sempre o caminho mais correcto e que o bom trabalho acaba por ser sempre reconhecido.

Vendo de outro prisma, o das organizações, cada vez mais querem ter o mínimo gasto e aproveitam-se um pouco dessa sobrelotação referida acima, o que faz com que não respeitem o trabalho e o investimento pessoal e monetário que temos, chegando mesmo ao ponto de em muitos casos os artistas pagarem para tocar (pay-to-play) o que é extremamente errado e só destruirá o movimento.
Por outro lado isto acaba por ser positivo pois o bom trabalho acaba por ser valorizado e acaba-se por encontrar alguns diamantes no meio do carvão.

 
5- Quem são as tuas influências na música?

R: Na verdade a música deve ser vista como um todo, e há milhares de analogias possíveis entre estilos totalmente diferentes. Nesse aspecto sinto-me um poliglota da música, sabendo apreciar um pouco de tudo.
Obivamente que a minha “escola” foi sem dúvida o trash e o punk e ainda hoje aplico muito do que ambos transmitem no meu trabalho.

Falando um pouco da música electrónica underground, sem dúvida o tabalho de Fagin’s Reject (especialmente o albúm Dirty Protest), E.V.P/Reality Grid, Hux Flux (imortal artist, R.I.P Dennis), Traskel e Ivort entre muitos outros mas não sairia daqui 


6- Quando foi o teu primeiro contacto com o Psytrance?

R: Muito cedo, a minha mãe na sua juventude já tinha tido contacto e ao longo dos anos fui ganhando algumas luzes deste movimento porém só em 2009 é que mergulhei neste mundo numa tambem reunião mais familiar.
 

7- Como e quando decididiste sair das pistas para o palco?

R: Não foi uma decisão fácil pois na altura era um mundo mais restrito e elitista e não sabia o que me esperava, pois mesmo com toda a teoria não há melhor experiência que vivenciar.

Aliando essa vontade á falta de diversidade que notei no nosso mundo da música electrónica underground, e a perda pelo gosto por outro tipo de sonoridades mais obscuras por parte do público fez-me querer tentar fazer reacender essa chama perdida.
E assim se deu o pulo do dancefloor para os decks.
 

8- O que mantém vivo o teu amor pela música electrónica? O que tu mais gostas nas festas/festivais?

R: Acima de tudo a convivência e a troca de experiência e opiniões.
Costumo dizer que uma festa/festival deve ser vista como uma churrascada com os amigos, onde se conversa, diverte, e se partilha um gosto em comum, só assim se consegue tirar o melhor partido e retirar as questões negativas que infelizmente estão associadas a este mundo.
 

9- Já aconteceu alguma situação engraçada enquanto tocavas?

R: Algumas sim, mas a que mais me marcou foi numa festa na zona Oeste, onde inocentemente peço a minha companheira para me ir buscar uma cerveja, e quando ela retorna e meto o copo a boca deparo-me com uma goma (colocada por ela como um gesto carinhoso). O problema foi que só dei por ela quando quase ia morrendo com a dita goma entalada na garganta… a meio de plena actuação.. uma historia engraçada mas a qual não pretendo repetir.
PS- Questiono-me agora enquanto vos escrevo se não terá sido premeditado ahahah.
 

10- Se pudesses escolher qualquer lugar no mundo para tocar, onde seria?

R: Em todo o lado, pois é um pouco difícil não querer tocar nos festivais com mais peso do movimento. Tendo de optar por um, seria o Mo:Dem Festival na Croác ia pois enquadra-se perfeitamente com a viagem transmitida pelo projecto Kybalion.

11- Nos últimos anos o psy trance tem vindo a crescer em Portugal o número de festivais e novos artistas aumentam a cada dia. Na tua visão, esta nossa caminhada está no ritmo certo ou existe algo que poderíamos estar a fazer mais pelo crescimento da cena?

R: Sem dúvida e referi esse mesmo ponto um pouco acima.
Nem sempre o crescimento é bom e sustentável, e numa opiniao muito pessoal, o movimento está sobrelotado, o que num futuro próximo trará problemas (um pouco á semelhança do que vê em relação ao turismo em Portugal).

Estará para breve o retorno aos tempos em que o movimento volta a ser underground, selectivo e elitista no que toca ao publico e organizações e que o dito *espírito* volta a ser real.
 

12- Qual foi a actuação que mais te marcou?

R: A presença na tour do Crazy Astronaut/Furious no Lisboa ao Vivo e o 15 Aniversário Crystal Matrix Records, ambas pela mesma razão – a responsabilidade – sou da opiniao que a forma como encaramos as coisas dita o seu resultado final, e no caso específico destas duas actuações, ter a responsabilidade de efectuar um bom trabalho tanto para o público como para o promotor é muito importante e pode ditar o futuro no que toca aos projectos. Estar perante tanta gente em que a grande parte está a avaliar o nosso trabalho, para muitos pode ser fácil, para mim não, pois a responsabilidade é enorme.
Daí sem duvida que foi as duas actuações mais marcantes, apesar de já ter tido outras que me marcaram .por outros motivos.

13- Vamos finalizar com uma mensagem para os teus fãs/seguidores.
 
R: Não consigo visualizar as pessoas que seguem o meu trabalho como fãs ou seguidores, apenas como aficionados que vibram tanto quanto eu com a música.
A única coisa que vos posso pedir é que continuem a apoiar ( demonstrem esse apoio, deêm feedback, critiquem o que acharem que não está correcto, serão sempre bem recebidos) e a dançar ao som do projecto Kybalion e acima de tudo que vos proporcione bons e alegres momentos.

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