Amantes do Trance

1 - Como a música chegou à tua vida?

R: Não me recordo ao certo, mas a minha mãe dizia-me que eu quando era pequeno, adormecia de secador ligado, portanto apesar de ser um som repetitivo, talvez já quisesse dizer qualquer coisa (risos). Na adolescência, pedi ao meu pai uma pequena Hércules (controlador) porque senti curiosidade em mexer naqueles botões todos. Ouvia estilos de música que hoje em dia não ouço tanto, mas fizeram parte da minha formação e crescimento.

2 - Como surgiu o projeto Ben Ard?

R: O projeto Ben Ard surgiu pela minha vontade enorme que tinha em passar do estúdio para as pistas de dança. Já tinha algumas experiências em tocar em noites ligadas ao techno e ao house, no entanto, no trance nunca tinha tocado, e sempre foi um estilo que me fascinou.

3 - Qual foi a festa em que te estreaste como DJ?

R: Sinceramente não me recordo bem. Quando comecei a tocar, as minhas primeiras atuações foram num bar em Santa Maria da Feira onde fazíamos festas de techno. Isso foi bem no início, a data a certo não me lembro, mas foi meado de 2013.




4 - Como foi o início da tua carreira?

R: O início da minha carreira foi sobretudo passado entre o estúdio e a pista de dança a dançar. Ver os melhores artistas do Mundo ensina bastante. Depois aos poucos fui tocando em bares que apostavam em música eletrónica.

5 - Quem são as tuas influências na música?

R: Bem, Gorillaz sempre foi uma banda que eu ouvia imenso, identifico-me com a maneira como atuam e o conceito em si. Mas agora já não ouço outros estilos a não ser música eletrónica, que engloba um grande número de variantes desde os mais acelerados aos mais lentos. Em termos de Goa Trance, as minhas principais referencias são Etnica, Subcouds, Transwave, Astral Projection, Shakta e Oforia.

6 - Quando foi o teu primeiro contacto com o Psytrance?

R: A principal influência veio de alguns amigos que são viciados em Infected Mushroom. Como se costumar dizer “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

7 - Como e quando decidiste sair das pistas para o palco?

R: A vontade foi sempre muita, mas não é fácil fazê-lo, principalmente quando não tens contactos. No entanto, tive pessoas que me ajudaram muito, nomeadamente o meu parceiro de estúdio, que já tocava à algum tempo, e levou-me muitas vezes com ele para tocar. As pessoas começaram a ver o que fazia nos decks, e gostavam. Davam-me motivação para continuar. As redes sociais também são uma grande ajuda para isso, dão projeção.

8 - O que mantém vivo o teu amor pela música eletrónica? O que tu mais gostas nas festas/festivais?

R: Não sei explicar bem, a música transmite-me sensações muito boas, e partilhar isso com outras pessoas é especial. Nos festivais, o que mais gosto é ver grandes artistas a tocar, conhecer pessoas e culturas e, claro adoro também tocar.

9 - Já aconteceu alguma situação engraçada enquanto tocavas?

R: Já aconteceram algumas situações. Já toquei em back to back com uma pessoa que estava literalmente nu da cintura para baixo. Foi por pouco tempo, mas foi muito engraçado porque quem está do outro lado, na pista, não se apercebeu (risos).

10 - Se pudesses escolher qualquer lugar no mundo para tocar, onde seria?

R: Tocar no Dance Temple no Boom Festival é sem dúvida algo que já fez parte dos meus sonhos. Seria mágico.

11 - Nos últimos anos o psy trance tem vindo a crescer em Portugal o número de festivais e novos artistas aumentam a cada dia. Na tua visão, esta nossa caminhada está no ritmo certo ou existe algo que poderíamos estar a fazer mais pelo crescimento da cena?

R: Na minha opinião, com o aparecimento das novas tecnologias, é mais fácil a quem o quiser, organizar um evento com tudo o que se isso implica. Por este facto, existe um maior número de eventos. Com os Dj´s é igual. No entanto, quantidade não significa qualidade. O que se faz em Portugal, é referência em qualquer parte do Mundo, mas temos que continuar a ser exigentes para não danificar o conceito.

12 - Qual foi a atuação que mais te marcou?

R: A tocar como Ben Ard não tenho muitas atuações, comecei apenas em 2018, no entanto, a Carnivaland foi uma das que mais me marcou.

13 - Mesmo dentro do psy trance alguns estilos acabam por ser mais populares do que outros. Um exemplo é o Full on, Psy ou Dark que se vêm tornando mais comuns nas festas. Como vês a atual cena do Goa Trance em Portugal? É possível relatar uma considerável evolução nos últimos anos?

R: Bem, em relação a isso, acho que o pessoal do ZNA tem uma grande “responsabilidade” pelo facto de o Goa estar a crescer. Em 2011 resolveram voltar a fazer convívios como aqueles que deram origem ao Boom Festival em 1997, e foi simplesmente fantástico. Depois de um amigo meu ter-me levado a uma festa deles, na Floresta do Zambujal em 2012, posso dizer que mudou a minha maneira de ver o Trance. E isso chamou a atenção de mais pessoas, e o que se vê hoje em dia, é os organizadores a apostar mais no Goa Trance. No Norte, por exemplo, já existe uma comunidade considerável que gosta de Goa, muitos deles jovens como eu.

14 - Vamos finalizar com uma mensagem para os teus seguidores.

R: Quero agradecer aos Amantes do Trance pelo convite, obrigado!

Goa Music is the answer!

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