Amantes do Trance

lá! Antes de mais duas coisas: 1 – Lamento imenso a resposta tardia às questões que me foram propostas (o pedido já foi feito em Janeiro), mas tenho tido meses com imenso trabalho e ainda bem; 2 – Gostava de expressar a minha profunda e honesta gratidão à Amantes do Trance e em particular ao Pedro Guilherme pelo convite feito. Estamos juntos irmão!

1 - Como a música chegou à tua vida?

R: Bom, a música chegou à minha vida muito cedo: desde que não me lembro basicamente! O meu querido pai, aqui vai um abraço para ele desde já, foi sempre um ouvinte de boa música e frequentador de eventos e festivais, independentemente do género.

Portanto, já na barriga da minha mãe eu ouvia desde Música Clássica a Jazz, desde Músicas do Mundo a sonoridades desenvolvidas em subculturas mais underground, enfim um pouco de tudo. Mas é com 6 ou 7 anos de idade que o meu pai me leva ao meu primeiro concerto de sempre – Rolling Stones – e não muito mais tarde leva-me a AC’DC. É também nesta altura (portanto entre 1991 e 1992), que os meus pais me inscrevem na escola de música Canto Firme, em Tomar, onde inicio estudos de violino. Pode então dizer-se que a minha vida terrena enquanto músico começa precisamente aqui.

2- Qual foi a festa em que te estreaste como DJ?

R: Desde finais de 2003, se não estou em erro, que comecei a fazer mensalmente sessões de som psicadélico num bar em Aveiro – Posto 7, que embora sem grande publicidade tinha bastante adesão. Estas noites temáticas aconteceram durante dois anos até chegar o meu primeiro evento oficial, sob o nome de Audiact, mais precisamente a 25 de Fevereiro de 2006 – 6ºAniversário Templum Bar”, em Alcanena. Aqui tive o privilégio de partilhar a cabine com, por exemplo Tiago “Atary” e Raquel “Ganeisha” (éramos ainda todos tão novinhos!) bem conhecidos no movimento psy-trance nacional ou o não tão conhecido Rafael “Madha” de Tomar, o qual me deu os meus primeiros ensinamentos na arte do DJing e BeatMix. Um forte abraço e beijo aos músicos que acabei de mencionar.




3- Como começaste a produzir música electrónica?

R: Desde 2003 até 2011, fui sempre, dentro da música electrónica, apenas DJ, isto é, alguém que assumidamente parte à procura de sonoridades por esse mundo fora e procura encontrar pontos de ligação entre temas de forma a construir a sua própria história sonora, a sua viagem, o seu “DJ SET”. Em 2011, entrei em PTM (Licenciatura em Produção e Tecnologias da Música) na ESMAE, Porto, e aí tive o primeiro contato com DAW’s e consequentemente a contato com a produção!

4- De onde tiras inspiração para criar novas músicas?

R: Inspiração? Bom, esta resposta pode parecer muito óbvia, mas não encontro mais nenhuma: a VIDA seja ela terrena ou espacial e todas as experiências por ela proporcionadas!

5- Como surgiu o projecto Audiact?

R: Ora em termos de existência de projecto, penso já ter respondido atrás a altura em que ele surge. A respeito do nome em si, aviso já que nada tem a ver com Audi’s. Carros é coisas que ligo pouco. Gosto mais de Autocaravanas!

Este nome surge de uma sugestão de uma grande amiga minha chamada Juliana Felix, beijo para ela desde já, ao me apresentar e me explicar o conceito de “Audiar”. Audiar significa ouvir som sem que ele esteja fisicamente presente. Eu considero o Psy-Trance uma forma de vida, não apenas um estilo sonoro, portanto está sempre cá, fisicamente presente ou não. Portanto, o “Acto de Audiar” - Audiact - pareceu-me na altura uma boa escolha.

6- Quando foi o teu primeiro lançamento?

R: O meu primeiro lançamento dentro do Psytrance (porque trabalho com outros movimentos) foi um Promo Set gravado em cerca de 2011 se não estou em erro, mas partilhado ao mundo através da plataforma Soundcloud algures em 2012.

7- Os artistas do psy trance possuem influências de outros gêneros musicais. O que te inspira fora do universo electrónico? Que outras formas de arte fazem parte do teu processo criativo?

R: Como já disse na questão anterior, trabalho com outros movimentos, situação que quer eu queira quer não, influencia bastante o meu processo criativo. Portanto, fora do universo electrónico, adoro como exemplos Música Clássica (trabalhei e continuo a trabalhar neste meio como produtor / diretor musical / “recordist” / violinista), rock progressivo (sou baterista numa banda do género – Xtigma), Metal (sou violinista numa banda do género – Ashes), e muito, muito , muito mas mesmo muito mais movimentos. O que no fundo me influencia no processo criativo não são géneros musicais, mas sim almas criadoras originais existentes em todos os géneros musicais e em todas as formas de arte! É que a ideia de “género/rótulo” surge muito depois da ideia de música enquanto processo criativo e original.

8- Quem são as tuas influências na música?

R: Esta questão vem precisamente de encontro à questão anterior, na medida em que as minhas influências musicais são indivíduos e personalidades puras e honestas que se destacaram no mundo da música não pelo género em si, mas pela sua essência, a inserção num género vem depois (como já disse atrás). A lista é infinita porque processo criativo não pára nem nunca parou, mas aqui ficam alguns nomes, nos mais variados universos musicais: Goa Gil, Bob Marley, Cosma, Pink Floyd, Ishq, Tool, Carbon Based Lifeforms, Bjork, Penta, Nirvana, Shpongle, Max Cavalera, Derango, Marilyn Manson, Ravi Shankar, The Doors, Ajja, Janis Joplin, 1200 Micrograms, Meshuggah, Luke Psywalker, Joy Division, Atriohm, Sara Tavares, Sensient e muitos muitos muitos mais! Diversidade meus caros! Diversidade!

9- Qual foi a actuação que mais te marcou?

R: A atuação que mais me marcou foi no Freedom Festival 2013, a primeira vez, que toquei para tanto povo! Não consigo explicar o que senti nos momentos antes de premir play no primeiro tema do set. Expresso aqui desde já a minha profunda gratidão à Crystal Matrix pelo convite a tocar neste evento e por ter acreditado em mim e no meu trabalho!

10- O que mantém vivo o teu amor pela música electrónica? O que tu mais gostas nas festas/festivais?

R: O que mantem vivo o meu amor por música electrónica é eu estar VIVO! Porque não consigo viver sem ela. Provavelmente vou procurar por música eletrónica nesses universos que nos esperam quando for desta para melhor!

O que mais gosto em festas e festivais é o fluxo de energia da forma que é possível criar nestes eventos, impossível em quaisquer outros, quando todos os intervenientes acreditam que magia existe! We are all one!

11- Se pudesses escolher qualquer lugar no mundo para tocar, onde seria?

R: Se pudesse escolher? Dá para viajar no tempo? Então seria nos primeiros eventos psicadélicos feitos em Goa, quando tudo começou. Haveria muito para aprender e experienciar certamente!

12- Quais são as novidades em relação a novos lançamentos?

R: Tenho andado a cozinhar uma compilação pela Urban Antidote Records e em breve sairá também para o público temas de alguns artistas conhecidos no mundo psy com a minha participação com violino. Psayagata , um projecto que falarei mais à frente, também terá novidades para breve! Fiquem atentos! Fora lançamentos áudio, formei recentemente de forma oficial em conjunto com Pedro Santos – DJ N9ve – um projecto intitulado “Acid Violin”, onde eu improviso com o meu violino enquanto o Pedro mistura um set, normalmente dentro da onda Zenonesque. Demos já três GiGs no Avenue Club em Coimbra e a adesão foi muito boa, de modo que caríssimos leitores, interessados num GiG assim? Entrem em contacto conosco!

13- Nos últimos anos o psy trance tem vindo a crescer em Portugal o número de festas/festivais e novos artistas aumentam a "cada dia". Na tua visão, está nossa caminhada está no ritmo certo ou existe algo que poderíamos estar a fazer mais pelo crescimento da cena?

R: A qualidade de produção nacional é, a meu ver, e já há alguns anos, bastante superior à de muitos países por esse mundo fora. Disso não tenho dúvida nenhuma. Mas falando mais a respeito do movimento nacional em geral, e tendo vivido uma temporada lá fora, vejo-me obrigado, não a julgar ninguém, porque ninguém tem o direito de julgar ninguém, mas sim a deixar este concelho, o qual “a carapuça enfia a quem couber”: Sejam mais gratos com o que têm aqui. Neste país pode-se fazer tudo! TUDO! Na Irlanda, país onde vivi, as festas começavam todas as 9 da noite e acabam as 3 da manha. Indoor! Outdoor só ilegal! Foi rara a pessoa que vi queixar-se disso. Aqui podemos fazer um fim de semana inteiro de festa meus irmãos, onde a liberdade permitida é inacreditável aos olhos de quem está lá fora, acreditem! Pensem nisso, sim? E façam-me o favor de ser felizes!

14- Define a tua música em três palavras.

R: Honesta, Intensa, Telepática

15- Fala-nos um pouco sobre o projecto Psayagata?

R: Psayagata é um projecto simbiótico de chill out psicadélico que alia paisagens sonoras electrónicas com elementos orgânicos, nomeadamente eu no violino e Renato Oliveira (Olive Tree Dance) na Sitar, embora já muito recentemente tenhamos juntado a este Universo instrumentos como o Didgeridoo, Theremin ou Hangdrum, entre outros. Eu, enquanto violinista, já tinha feito colaborações com Sérgio Walgood, D_Maniac e Senhora do Ó, mas é no Freedom Festival 2015 que tive o prazer de fundir as minhas 4 cordas com a Sítar do Renato, na altura músico convidado. Este GiG teve um impacto tão grande que decidi convidar o Renato a juntar-se ao projecto de forma permanente. As actuações seguintes ocorreram no Freedom Festival 2017 e ZNA 2017, e mais uma vez o feedback do público não poderia ser melhor. Para já, verão 2018 temos presença confirmada no Union of Freaks Festival e no Seeds of Freedom Festival , ambos em Portugal, e no Audio Farm Festival no Reino Unido. A coisa está a começar a correr como queremos! Já enquanto violinista a solo a coisa parece ter também tomado o rumo certo: fui convidado para tocar violino em conjunto com a banda de chill out Lemon Tree no Sun Festival Hungria, e no Boom Town Fair no Reino Unido. Não obstante, fui também convidado para juntar o meu violino à banda residente do Jam Session Stage no Psy-Fi na Holanda. HAPPY DAYS!!!

16- Fala-nos um pouco sobre a Ohmnium Records.

R: A label luso-espanhola Ohmnium Records surge de um grupo de amigos que se conheceram num festival de verão onde viveram mutuamente situações que os fizeram criar uma ligação tão forte entre eles que só faria sentido criar uma label, que no fundo é uma família. É com muito gosto que assumi o papel de Artist Manager, e posso dizer para já que vem aí novidades para breve, mas novidades de peso!

17- Vamos finalizar com uma mensagem para os teus fãs/seguidores.

R: Nunca desistam dos vossos sonhos! Nunca! Acreditem! Ler este livro ajuda a acreditar: “As 4 Verdades” de Don Miguel Ruiz
See you All at the Dance Floor! Or The Chill Out Floor ! hahaha

Namasté ❤

Mais uma vez , Amantes do Trance e Pedro Guilherme, Grato por esta Entrevista! É NOIX !!!

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