Amantes do Trance

ENTREVISTA #65 CHICAGO (1200 MICROGRAMS)

Em primeiro lugar quero cumprimentar todos os transahólicos, transmaníacos, fãs de Trance em Portugal, sou o DJ Chicago do 1200 microgramas!

1- Como é que a música entrou na tua vida?

R: Bem, eu tenho 71 anos nascido em 1946. Em 1956 tinha 10 anos, e ouvi Elvis Presley na rádio pela primeira vez. Na altura era algo totalmente diferente, era novidade, era o Rock n` Roll... lembro-me nesse dia, estava a caminhar da casa da minha avó, e foi quando ouvi na rádio... parei assim do nada e questionei logo o que estava ouvir. Ficamos todos inspirados e logo comecei com lições de bateria e guitarra. No liceu comecei a juntar bandas ao longo da minha adolescência até a universidade, e foi assim então que a musica entrou na minha vida. Em 1983 fui a Goa, e aí comecei com musica eletrónica, também algo novo, diferente, espetacular e aí sim foi o começo.

2- Qual foi a festa que tocaste música pela primeira vez?

R: Eu fiquei um Inverno a produzir 18 músicas com GMS Riktam e Bansi ( mas antes 1200 Mics isto em 1998). Produzimos as 18 músicas juntos, muitos até foram lançados como GMS fet. Chicago. Depois fui ao Brasil, e tinha acabado de chegar a uma festa de 3 dias. Vieram ter comigo, pedir para tocar musica. Eu disse que não sabia, pois apenas sabia produzir, falaram que não se importavam se não soubesse, que toda gente perdoava isso, mas que queriam que tocasse musica para eles. Eu tinha a música toda comigo que tinha acabado de produzir com o Riktam e Bansi, então subi para o palco, comecei a tocar e toda gente adorou e tornou se um momento diferente e especial.

3- Como é que começaste a produzir música eletrónica?

R: Raja Ram chegou a Goa em 1990. Ficamos logo grandes amigos, e pelos anos ´90 fomos tripando, indo aos festivais todos, transpirando todo o tempo em frente as colunas sempre a dançar sempre a divertir. Falávamos muitas vezes em como seria ótimo produzirmos algo diferente com a musica. Tínhamos algumas ideias, e achávamos que podia encaixar bem na pista de dança, mas não tínhamos nada de técnica, já éramos velhos e a novidade da tecnologia já nos tinha passado, não sabíamos nada de eletrónica. Passado algum tempo finalmente em 1998, Raja Ram pensou no Riktam e Bansi, pois já os conhecíamos desde os 15 anos de idade em Amesterdão, e eles já com 17 anos tinham ido tocar a Goa a um grande festival ao ar livre. Aí ficaram conhecidos, tiveram bastante sucesso e em 1998 subiram para o topo com GMS. Propomos na altura se eles continuassem com GMS e nós como segunda banda mas os 4 juntos a tocar, e eles aceitaram. Foi assim que tudo começou. A primeira musica que produzimos juntos foi “take the blue pill” e lembro me que foi a primeira vez que fumei DMT... nessa altura foi algo novo, diferente. Nunca ninguém tinha ouvido algo assim. Essa musica foi tocada e ouvida pelo mundo fora, e achamos o máximo. Pensamos logo em produzir o próximo álbum. O Raja Ram teve uma ideia fantástica. Em vez de por qualquer nome ás musicas, propôs pegar no que acreditamos e porque não expandir a mente, abrir a consciência com determinadas drogas que são portas que podemos abrir e entrar em outras dimensões com os nossos 5 sentidos normais. Daí criar um álbum dedicado a expansão da consciência. Então tinha LSD, DMT, Extacy, Mescalina, ou seja todas as drogas com essa possibilidade de abrir a mente. Também um álbum novo com um conceito diferente com bastante sucesso, e foi assim que tudo começou em 1999.

4- Quais são as tuas influências musicais?

R: É uma grande variedade, mas admito que sempre adorei Hard Rock guitar. Nós somos das bandas que trabalhamos bastante o trance rock. A inspiração vem dos AC DC , Thunder Rock, Money for Nothing, Dire Straits, por ai fora... sentimos que musicas com guitarra o povo fica mais louco.

5- Qual a performance que nunca vais esquecer?

R: Felizmente foi em Portugal no BOOM Festival 2004. Foi a primeira vez que toquei no BOOM, mais uma vez com algo novo, e lembro-me do povo todo ficar louco!! Divertimos imenso, a resposta do povo foi incrível, sempre todos juntos a curtir!!

6- O que te mantém apaixonado pelo PSY Trance?

R: Não existe nada melhor (não existe melhor moca), quando toda gente dança em conjunto ouvindo musica que nos faz vibrar e sentir seja que musica for... Mas para mim nada melhor do que essa sintonia com PSY Trance. Todos juntos a dançar e partilhar essa experiência cósmica, entrando num só extacy, passando por experiências únicas. Que por vezes paras, olhas a volta e vem te as lágrimas aos olhos, e de repente aquela pele de galinha pelo corpo, é profundamente tocante. E começas a ter certas intuições que acende aquela luz no cérebro e começas a pensar até de uma forma diferente... um pequeno resumo sobre a minha paixão pelo PSY Trance.

7- Deixo aos transmaniacos a minha última mensagem...

R: Adoramos sempre tocar em Portugal BOOM e FREEDOM, tem sido sempre tão divertido ao longo dos anos e nunca perdemos nenhum dos 2 festivais. O povo português é muito divertido sempre a dançar, sempre unidos... peço a vocês todos por favor continuem assim malucos (mocados) continuem felizes com a musica a dança as mocas, e fico ansioso por voltar e estar entre vocês todos em breve.

TRANCE ON PARA TODOS!!!

Fotografia: Rui Soares

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