Amantes do Trance

1 - Como a música chegou à tua vida?

R: Antes de mais, quero agradecer aos Amantes do Trance pelo convite para esta entrevista, pelo seu trabalho até agora e que em 2018 vejam os seus novos objectivos atingidos.

Bem, respondendo então à primeira pergunta, penso que desde que me lembre e me conheço que a música sempre esteve presente na minha vida. Lembro-me das sessões matinais de rádio enquanto tomava o pequeno-almoço, antes de ir para o infantário, das actividades de dança e canto no ATL (cheguei a dançar no Rancho Folclórico de Santos-O-Novo uns anos! sim, é verdade!), das tardes a ouvir a música que os meus irmãos mais velhos colocavam nas suas aparelhagens, da minha mãe a cantar Fado enquanto tratava das lidas da casa, etc etc...

Não existia e não podia existir, um dia sem música na minha vida.

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1993

2- Qual foi a festa em que te estreaste como DJ ?

R: É um pouco difícil dizer ao certo qual a festa em concreto mas terá sido entre o final de 1999 e o Verão de 2000. Na altura, estava a morar em Sintra e frequentava algumas das festas de Goa Trance, Acid Techno ou Drum and Bass que por lá faziam.  Sendo algumas das festas organizadas por amigos meus na altura, comecei por dar os primeiros passos no Djing tocando uma ou outra musica, fazendo um b2b com algum deles, até ao momento em que já tocava sozinho. Foi algo gradual e natural que me introduziu a um novo mundo de tecnologia e experiências... A partir de 2001/2002, comecei a tocar em vários bares/clubs em Lisboa, espalhados pelo Bairro Alto, Cais do Sodré, Santos, etc...

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Halloween 2004 - Psylloween, Bairro Alto

3 - Como começaste a produzir música electrónica?

R: Comecei por brincadeira em 1997 no Dance Ejay. Na altura, eu e o Fábio Silva (Dj Rudy) tentávamos recriar os hits de Tiesto, Robert Miles entre outros, e o bichinho ficou. Mais tarde, no final de 2000, mudei para um novo software, o Reason, e foi aí que decidi que queria evoluir na qualidade das produções.  Para além de trabalhar sempre muito sozinho em casa, nos primeiros tempos aprendi tambem muito com vários amigos e grandes artistas. Lembro-me por exemplo de começar a  trocar várias ideias com o Rui Duarte (Unreal / Meskah / Duotech) e o Sérgio Miguel (Unreal) e de fazermos jams intermináveis no Reason. Anos mais tarde, decidi inscrever-me na Academia - Escola de Audio onde estive 2 anos a tirar os cursos de Som e de Produção de Música Electrónica, tendo como monitor de Curso o João Apell (Audialize) entre outros artistas que iam leccionando os vários módulos, tais como Menog, Khopat, Suria, etc.

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2001

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Academia - Escola de Áudio

4 - Como foi o início da tua carreira?

R: Não foi fácil! Era muito complicado desdobrar-me entre um Curso de Direito, um emprego full-time de 8h, o djing á noite e ainda encontrar tempo (e cabeça) para as produções.  Pensei em desistir várias vezes, mas era mais forte do que eu. Já se tinha tornado um vício, uma droga. Ficar uma semana sem produzir era quase impossível. Apesar de todas as actividades e profissões paralelas, fui sempre encontrando espaço e tempo para a música e festas.

5- De onde tiras inspiração para criar novas músicas?

Acho que ao longo dos anos aprendi a trabalhar e a "forçar" a inspiração. Uma ideia para uma música pode surgir no banho ou numa viagem de metro mas também pode aparecer durante uma sessão experimental de produção, onde só me dedico a criar novos efeitos ou gravar novos samples. Pode começar por uma voz ou uma melodia e a partir daí, as ideias surgem naturalmente.

 

6-Como surgiu  o projecto Inner Coma?

R: Este projecto Inner Coma surgiu depois do Verão de 2004. Até este momento tinha outros projectos com estilos diferentes (Baphometic Project / Psypot / Kenek) e após viajar durante 4 meses por festivais, fora e dentro de Portugal, apercebi-me que tinha a necessidade de criar um novo projecto onde pudesse "passar para o papel" novas ideias e energias sonoras. E assim nasceu Inner Coma.

7 - Quem são as tuas influências na música?

R: Acho que um pouco de tudo influencia aquilo que faço, pois adoro ouvir quase todos os estilos de Psytrance, mas se tivesse que escolher um ou dois artistas que admiro muito e que tiveram um papel fundamental na minha evolução, seriam o Nikolay (Furious/Crazy Astronaut/Delirious Noon/NVG) e o Leo (Kindzadza/Dzadzakin). Os seus álbuns "Uncanny Beats" e "Waves from Outer Space" são uma referência para mim e o projecto deles os dois (Cyberhen) é dos meus favoritos!




8 - Qual foi a tua actuação que mais te marcou? E a de outros artistas?

R: Não é fácil escolher "aquela" actuação, no meio de tantas, mas lembro-me de 3 que me marcaram bastante (cada uma pelo seu motivo da altura). Alien Connection, nos Olhos D`Água (2005), Psybernetic em Turim, Itália (2013) e a minha tour no Brasil em 2016. Se tivesse que escolher actuações de outros artistas, assim de repente recordo com muita saudade GMS (23/03/2002), Goa Gil em Idanha-a-Nova (2003) e Xerox And Illumination (Psybertech 2004)

9 - Se pudesses escolher qualquer lugar no mundo para tocar, onde seria?

R: Adoro viajar e poder fazê-lo ao mesmo tempo que mostro o meu trabalho, é muito gratificante. Havia 2 locais onde queria muito tocar, sendo que um deles já o fiz em 2016: o Brasil. O outro local onde ainda não toquei e tenho bastante curiosidade é a Índia. Curiosidade essa que tenciono matar em 2018, pois este ano já tenho planeada uma tour em 6 cidades por lá.

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Brasil

10 - Quais são as novidades em relação a novos lançamentos?

R: Este ano vai ser mais produtivo em termos de lançamentos. Já no primeiro trimestre, vai ser lançado um remix meu de uma faixa de Raggatek Live Band, pela Ovni Records, um versus com Uphurya, uma ou duas faixas em free download e outros lançamentos que por agora vão ficar em segredo.

Para além do projecto Inner Coma, encontro-me a trabalhar em 3 outros projectos paralelos a solo dentro do Psytrance que, se tudo correr bem, começam a sair para o público após o Verão ou época de natal.

11- Vamos finalizar com uma mensagem para os teus fãs/seguidores.

R: Como é óbvio, a mensagem só pode ser de agradecimento. Muito obrigado aos que ao longo dos anos me apoiaram de alguma forma, aos que seguem o meu projecto e a minha música mas também aos que me influenciaram e criticaram positivamente/negativamente. De uma forma ou de outra, tudo isto me dá motivação e força para fazer sempre mais e melhor.

Obrigado! 🙂

Paulo

 

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