Amantes do Trance

1- Como a música chegou à tua vida?

R: É difícil responder a isso, desde que me lembro que a música faz parte da minha vida.

2- Como surgiu o projecto N9VE?

R: O projecto n9ve sinceramente surgiu sem estar muito a contar com isso, sendo natural de Nelas, morei alguns anos em Santarém com a minha irmã, sendo nessa altura que comecei a interessar-me pelo trance e a ir de festa em festa pois na altura era na zona que aconteciam grande parte das festas e era bastante perto de Lisboa também, Quando voltei a Nelas não havia nada de nada, tinha começado  trabalhar em Viseu e num intervalo de almoço passei numa loja que tinhas uns cdjs e uma mesa de mistura da jbsystem, quando me apercebi já tinha comprado sem me aperceber e sem saber o que fazer com aquilo, diga-mos que foi assim que começou a panda do dj. O nome n9ve surgiu de uma forma engraçada, nove é alcunha de família há muitos anos, quando foi para aparecer no primeiro flyer perguntaram-me que nome metia no flyer ao qual eu respondi, então , eu sou o Pedro Santos e me disseram, não, nome de dj e eu respondi não tenho. O organizador decidiu que ia meter n9ve e inventou trocar o o pelo 9 e assim ficou até hoje.

3- Qual foi a festa em que te estreaste como DJ ?

R: A primeira de todas foi no dia em que comprei os cdjs, era uma sexta, tava a beber uns copos com uns amigos em Canas de Senhorim, para variar nao havia nada e começou-se a falar de eu ir bsucar o material para experimentar, assim foi com um amigo mais experiente, fomos para a mata de um outro amigo com gerador e uma mesa e assim foi. Ainda hoje em dia por causa dessa festa muita gente na zona de nelas não me quer ouvir porque pensa que eu só mando pregos, esqueceram foi que nessa noite eu nem sequer sabia o que era um bpm nem tão pouco para que serviam os botões da mesa de mistura e dos leitores de cd. Esta foi a estreia não oficial, a oficial foi a que contei na questão anterior, e foi num bar em Vilar Seco, aldeia entre Nelas e Viseu, num bar que era o Sempr’Abrir, bons tempos esses.




4- Como foi o início da tua carreira?

R: Uma parte já contei nas questões anteriores. A outra conto agora. Na minha opinião quando eu comecei eram tempos de ouro, havia poucas festas e poucos djs, apesar de já começarem a surgir cada vez mais. Eu tive a sorte de estar numa zona onde pouco ou nada se fazia e ter esse bar em Vilar Seco, que pessoal mais velho se vai lembrar, em que muitas vezes aos sábados decidia-se fazer festa la depois do jantar e com simples troca de mensagens chegava-se a juntar perto de 200 pessoas. A partir daí surgem mais conhecimentos aliados aos que já tinha de alguns anos a ir de festa em festa e a coisa foi sempre melhorando até aos dias de hoje, claro que com altos e baixos como é normal.

5-  Quem são as tuas influências na música?

R: As minhas influências musicais são um problema enorme, oiço de tudo um pouco, desde jazz, a rock, a samba, música dos balcãs, sei lá. Digo que são um problema porque como hoje em dia oiço tanta música diferente as vezes já nem sei o que oiço, mas penso que é daqueles problemas bons, cujo único mal e ás vezes estar a perguntar de quem é a música, sabendo perfeitamente quem é, apenas não consigo lá chegar, inclusive acontece muitas vezes com músicas que costumo tocar. Mas, posso dizer que talvez a principal influência talvez tenha sido o rock nas suas vertentes mais pesadas pois desde novo através da minha irmã e do meu vizinho mais velho foi o que ouvi, com idade e a facilidade que a internet trouxe e as viagens que eu fiz, o leque do que eu oiço foi sempre alar.gando.

6- Qual foi a actuação que mais te marcou?

R: Todas as actuações me marcam de uma maneira ou outra, umas mais outra menos, assim de repente talvez tenha sido a festa em que descobri que o meu cão o Bolota tinha uma doença grave e ia gastar muito dinheiro com ele , adorava-o e sem saber muito bem o que fazer e estando acontecer tudo no próprio dia, passei a entrada da festa de 2€ para 5€ e disse o porquê, e para além de ninguém se queixar , talvez por ser  na terrinha e toda a gente conhecer o cão, além disso apareceu gente de bem longe só para ajudar. A escrever isto até me arrepia um pouco e dá um misto de sentimentos.

7- O que mantém vivo o teu amor pela música electrónica? O que tu mais gostas nas festas/festivais?

R: Mais uma questão difícil, opá tanta coisa, o convívio, os conhecimentos, as conversas, as amizades, a partilha, o misto de sensações, sei lá tanta coisa difícil de descrever por palavras, e continuo a dizer, quando um gaijo pensa que está mal, surge sempre alguma cosia brutal que te faz reavivar o amor pela cena


8- Já aconteceu alguma situação engraçada enquanto tocavas?

R: Ui em tantos anos como é obvio várias, umas com piada outras em piada nenhum, mas vou referir a festa de aniversário de uns amigos de Viseu, em que como era festinha mais pequena e de amigos levei o meu cão, e a coisa engraçada em que ele estava armado em dj e a imitar-me e entre corridas e brincadeiras com o pessoal estava sempre a meter-se por baixo das minhas pernas, metia uma pata em cima da mesa e levantava-se como se estivesse a tocar comigo.

9- Se pudesses escolher qualquer lugar no mundo para tocar, onde seria?

R: Agora colocada a questão, começam a vir-me a cabeça vários locais a cabeça e sinceramente, é uma questão bastante difícil de responder tendo o nosso planeta locais fantásticos. Em tom de brincadeira poderia dizer no Vaticano, adoraria no Tibete por ser o sítio que é, talvez na Tailândia. Mas também me ocorre, se fosse bem organizado e sem muitos dos “estrilhos” habituais de uma festa hoje em dia, ser na minha pequena aldeia que é o Folhadal, a 2 Km de Nelas.


10- Falando um pouco sobre os eventos que organizas no Avenue Club em Coimbra. Como é visto para ti a realização de cada evento?

R: Em primeiro lugar adoro fazer eventos lá, apesar de ter muitos senãos. Não é fácil fazer eventos semanais e durante a semana de trabalho para estudantes na cidade em que quem manda são os estudantes, quem vem cá tocar ou curtir adora e sente algo diferente. Mas a sua realização nem sempre é fácil, como são semanais muitas vezes nem sei o que fazer, não posso sempre escolher os meus gostos, mas também não quero ir sempre pelos gostos dos mais novos. Comecei por fazer mais progressivo no início, também para cativar a casa e ultimamente tenho feito menos progressivo e mais full on e psicadélico. Mas continuo a tentar ser um bocado “professor” da malta mais jovem e acho que tenho conseguido atingir sucesso nisso, pois sinto-me acarinhado pelo público. Depois tenho sempre a pressão que os donos da casa também precisam de fazer dinheiro como é obvio, apesar de não ma fazerem eu sinto e é uma obrigação de cada promotor de eventos numa casa, pois é como uma relação, um sem o outro não sobrevive, isso complica porque sendo durante a semana não posso me esticar muito nem no budget da festa em na entrada, pois estudante não gosta muito de gastar dinheiro. Mas como digo dá trabalho mas sinto-me bastante realizado por passado 3 anos as quintas psicadélicas continuarem vivas e cada vez reconhecidas mais longe e por mais gente. Contudo este ano a realização das quintas foi um duro teste por ter entrado na universidade e ter que conciliar noite com dia e voltar a estudar passado quase 15 anos não é nada fácil, Mas serviu de aprendizagem e para ano ainda vai ser melhor

11- Quais são os teus projectos para o futuro?

R: Outra questão difícil, estando eu sempre a enfiar-me em novos projectos, ainda este ano comecei um, que está a ser bastante difícil mas ao mesmo tempo me está a fazer bem, que foi entrar na universidade pela primeira vez através do programa maiores de 23, aconselho a quem pensa o fazer pela calada e nunca deixa de ser apenas pensamento a aventurar-se, pelo menos deixa de ser mais uma questão da nossa vida. Costumo dizer “quem quer faz, quem não quer arranja desculpa” Mas voltando aos projectos, a produção musical está sempre nos meus projectos, já comecei nalgumas coisas mas para já está tudo em standby, pois exige muito empo e dedicação e eu neste momento não disponho disso, mas não me sai do horizonte do futuro.

12- Vamos  finalizar  com uma mensagem para os teus fãs/seguidores.

Nunca fui muito bom a mandar mensagens, mas acima de tudo não se esqueçam que esta merda é linda e única, e vivemos num país que é o paraíso, não o estraguem. Preocupem-se menos com os outros e mais com vocês. Enquanto olharem mais para o lado e menos para dentro e em frente a vida não melhora. Acho que a meta é procurar fazer aquilo que nos faz feliz a nós e a quem nos rodeia, pois a felicidade é a meta da vida. Acho que o que faz estar mal isto, é demasiada preocupação na vida e opinião dos outros, por isso mais uma vez digo e repito, foco em nós próprios e na busca da felicidade sem passar por cima de ninguém. Acho que é isto a mensagem que posso mandar.

Para finalizar, não dizendo que ando nisto há mais tempo ou menos tempo que os outros, pois ando ao tempo que a minha data de nascimento permite, não podendo por isso andar há mais nem há menos,  farto-me de ouvir antigamente é que era, antigamente não acontecia nada disto, epá chega disso, admito que as coisas estão um bocado diferentes principalmente na música, epá mas no fundo muita coisa continua igual e antes também acontecia muita “merda”, havia era menos eventos logo havia menos “merda” e não havia nem o facebook nem fácil acesso á internet para se passar a segunda e a terça-feira a falar mal. Mais uma vez, também vejo que as coisas estão diferentes mas ás vezes irrita os “velhos do restelo “, nós é que vamos ficando velhos, menos paciência para aventuras, começamos a ter menos amigos nas festas, começamos a conhecer menos djs e abrir horizontes para outros gêneros e deixamos de ter tanto amigo a ir a festas constantemente como antes, logo a vontade diminui, assim como começamos a ter outras preferências como viajar, fazer desporto, e sei lá mas o quê. Mais uma vez digo e repito o que comecei a responder no início desta questão, foco em nós e menos nos outros....




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