Amantes do Trance

1 – De que maneira entrou a música na tua vida?

R: A música entrou na minha vida quando eu era novo, o meu pai ouvia muito Jimi Hendrix, quando havia algum casamento ou aniversário da família eu já adorava dançar com 10 anos. Com 14 anos, peguei na guitarra espanhola do meu pai e comecei a aprender por mim próprio. Passados 2 anos já tocaa numa banda de metal chamada “Watts” com alguns amigos da escola. Aos meus 20 anos queria descobrir música nova, e encontrei o goa, encontrei um som e um tipo de festa onde eu queria ficar e fazer festa até à meia noite do dia seguinte. Diretamente conectado com esta música com as acid lines e as típicas melodias orientais. 10 anos depois espero poder fazer parte destas festas até ser muito muito velho.

2 –Qual foi a festa em que te estreaste com DJ?

R: A primeira festa onde toquei o meu Live Act foi na High Frequencies em Bruxelas, 2014. Toquei depois de um bom dj das 23h30 - 01h00, as pessoas rapidamente gostaram da minha música e quiseram mais.

3 – Como foi o início da tua carreira?

R: O início foi espetacular para mim porque depois do meu primeiro Live várias organizações contactaram-me, incluindo um grande festival em Espanha, o “Connection” onde só há Goa Trance com grandes nomes. Nem consigo imaginar que já toquei depois de artistas como Filteria, M-run, Proxeeus, Jikooha, e muitos outros. Para mim é como um sonho. O público nas festas de goa é muito grato e amigável. Há muitos amor a ser espalhado.

4 – Como começaste a produzir música eletrónica?

R: Comecei a produzir música eletrónica aos meus 20 anos com o projeto 88 de Trance de um amigo. Ele mostrou-me os básicos do Fruity Loops e depois disso fiquei infetado e comecei a produzir e a melhorar a cada mês. Também aprendi com o engenheiro sonoro N-tone Dub e com o François Chautemps que me ensinaram como mixar. Também já tive a oportunidade de trabalhar com alguns artistas e ir aprendendo alguns truques com o Ephedra, Proxeeus, Jaraluca, Imba, Exogen e Mini Spacer.

5 – Onde encontras inspiração para criar novas músicas?

R: A minha inspiração para as faixas vem do sentimento que tenho no momento. Também tenho uma faixa que fiz por causa de uma festa de uns amigos que se chamou “Dance For Life”. Eu gostei tanto da festa e senti tanto nela que produzi uma faixa com esse mesmo nome. Algumas vezes ouço algumas palavras num filme e começo uma faixa por causa de uma sample. Na “Singing Owls” há algumas palavras sobre as corujas que falam. Usei as diretamente.

6 – Como surgiu o projecto Ohm Mind?

R: Quando produzo gosto primeiro de fazer o kick e o bass. Depois faço montes de diferentes melodias, tipo 20 diferentes. No fim escolho a parte que prefiro, digo para mim “ esta melodia é boa para a intro, esta para uma break e esta para rebentar no fim da faixa.” Depois de saber mais sobre a story line trabalho no preset de cada som, vejo se quero um som mais ácido, um efeito mais twisted. Por fim adiciono alguns effeitos, vocais, percursão indiana se quiser e faço a mistura final. O meu primeiro album foi mais nitzo-goa com bastantes influências diferentes, especialmente cenas tribais com algumas melodias num tom elevado e montes de ácido. Hoje em dia tento fazer faixas ainda mais ácidas sem as melodias com tons elevados, mais oldschool que antes. O meu sonho é fazer faixas como Asia 2001 ou Miranda.




7 – Quando foi lançada a tua primeira faixa?

R: O meu primeiro lançamento foi na Visionary Shamanics Records a 15 de Março de 2015. A faixa chama-se “Alien Flora” e é uma combinação de bass moderno, efeitos espaciais e um fim para o nitzo. O meu album na Neogoa Records saiu em outubro de 2015 gratuitamente no Ektoplazm. Em Janeiro de 2017 saiu em formato físico.

8 – Os artistas de Psytrance têm várias influências de outros géneros musicais. O que te inspira fora da música eletrónica? Que outras formas de arte fazem parte do teu processo criativo?

R: Fora da música eletrónica sinto-me verdadeiramente inspirado pela música dos anos 70 como Jimi Hendrix, The Doors, Jefferson Airplane. Também tenho influências do metal porque foi onde comecei, é por isso que algumas das minhas faixas são intensas e fortes. Gosto de ver as pessoas a saltar. No metal sou atraído por Limp Bizkit, Linkin Park, System Of A Down, Metallica, Hatebreed, Lamb Of God, Rammstein e muitos outros. O que me inspira mais são melodias fortes ou música profundamente hipnótica.

9 – Quais são as tuas influências musicais?

R: As minhas influências musicais no goa são bastante ácidas e melódicas: Asia 2001, Miranda, Filteria, Shakta, Power Source, Talking Souls, Astral Projection, Man With No Name, Cosmosis, Dimension 5, Electric Universe, Pleiadians, Etnica, X-Dream, MFG e mais alguns.. Os 3 primeiros são o meu top.

10 – Qual foi a atuação que mais te marcou, uma que nunca te esquecerás?

R: Houve duas atuações que nunca irei esquecer. A minha primeira vez no Connection, em frente a 1000 pessoas a dançar que nem macacos e a gritar em cada drop. Tanta boa energia lá e boas pessoas. Foi uma experiência fantástica também porque o Dj seguinte não estava e tive que improvisar um dj set por mais 40 minutos. Agora estou sempre pronto para tocar mais algum tempo caso aconteça algo do género. O outro foi o meu Live Act na Bélgica depois do meu herói Filteria, já o tinha visto atuar 4 ou 5 vezes como espetador. Ele é um dos meus deuses e eu estaba ali a apenas 1 metro dele a ver o final louco com a faixa “Mind Expansion”, uma das minhas favoritas.

11 – O que te mantém apaixonado pela música eletrónica?

R: Eu amo o Goa porque a música me dá energia, faz-me entrar em transe, dá-me arrepios, desenvolve-me mentalmente, dá-me amor. No Goa sinto-me livre e não encontro isso em nenhum outro estilo. As pessoas lá estão sempre a sorrir, a espalhar boas energias e amor.

12 – O que gostas mais em festivais?

R: Adoro a parte familiar da equipa. Todos juntos a dormir, a aproveitar cada momento, a dançar, a mijar… É a verdadeira partilha da nossa cultura. As decorações normalmente são espetaculares, lojas com muitas cenas fluorescentes e pessoal alternativo, comida vegan, etc.. Obviamente também adoro a música e o mainstage.

13 – Onde vão ser as tuas próximas atuações?

R: Vou atuar pela primeira vez na Polónia em Março e em França em Maio para o teaser do festival português Forest Soul Gathering. Toco no Connection este ano de novo. Vários gigs na Bélgica como o costume. Quem sabe o que o futuro trará mais.

14 – E acerca das tuas novas faixas, podes revelar algo?

R: Para as minhas novas faixas estou a tentar ter bass’s mais monstruosos e melodias mais profundas como Asia 2001 ou Miranda mas mantendo o meu estilo. O meu primeiro album foi algo ainda muito experimental para mim. Acabei uma faixa chamada “Circle Of Life” com um som ácido muito forte que não para e um bass enorme. Já a toquei em 3 festas e foi um sucesso. Eu faço faixa a faixa, nunca trabalho a pensar sobre fazer um álbum ou tocar numa festa. Faço música para mim primeiramente, agora estou viciado no público e nas festas.

15 - Quais as expectativas para a atuação em Portugal?

R: Vai ser o meu primeiro Live Act em Portugal, no entanto já fui ao Boom e as pessoas eram bastante amigáveis e havia muita boa comida. Eu sei que vai haver muito Goa diferente na festa e eu espero que o pessoal esteja aberto a um Goa mais doido. O Goa Trance está a começar a vir ao de cima este ano. Espero conseguir fazer novas fanáticos por este estilo de música e encontrar a minha família do Goa em portugal. .

16– O que costumas fazer quando não estás a atuar ou a viajar?

R: Bem quando não estou a viajar ou a tocar, trabalho numa loja de carpetes, madeira e vinil. Tudo para o chão com instalação e transporte. É muito interessante gerir tudo, dá-me experiência para conseguir lidar com os diferentes stress’s. Também organizo festa, umas 6 ou 7 por ano na Bélgica. Portanto encontro-me bastante com os meus amigos para tratar de bookings, escolher os locais… O nome da org é Ohm Gathering mas também Mandhalu e Goa Madness. Trabalhei no passado com Tibidi e High Frequencies. De resto gosto de relaxar com os meus amigos, aproveitar o sol quando o há na Bélgica. A jogar futebol ou squash.

17– Vamos terminar a entrevista, deixa uma mensagem para os teus fãs portugueses!

R: Para todos os meus fãs portugueses, estejam na Indigo Generation, algo enorme está a chegar para esta terceira edição, esperem muito goa doido e muitas novas faixas, para além de alguns clássicos do primeiro álbum. Vou-vos levar numa experiência ácida e tribal, preparem-se para largar o vosso Ohm.

OBRIGADO OHM MIND

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