Amantes do Trance




1 - Como a música chegou à tua vida?

R: A música chegou, se não estou em erro, a rondar os meus 6 ou 7 anos de idade, comecei a aprender orgão e piano numa escola de música perto da minha residência, nessa altura já fiquei um pouco maravilhado com o assunto tanto quanto uma criança tão nova podia ficar, mas creio que foi mesmo nos meus 12 anos ao começar a tocar bateria e a tocar em bandas que realmente fiquei completamente agarrado a tal forma de expressão, e comecei a alimentar um pouco o sonho de o fazer profissionalmente no futuro.

2- Qual foi a festa em que te estreaste como DJ ?

R: Hum…..pergunta difícil. Acho que olhando para trás, já não me consigo lembrar da “1ª festa de sempre” em especifico. Comecei a tocar em pequenas reuniões de amigos, depois a primeira free party assim mais publica. Mas ainda assim atrevo me a dizer que a primeira vez assim um pouco mais oficial foi no Aquarius Bar, em Alcochete, onde na altura se faziam algumas festas indoor.

3 - Como foi o início da tua carreira?

R: O inicio da minha carreira foi, para ser sincero, uma brincadeira. comecei a ir a festas no decorrer do ano 2000, Na altura, já era músico mas de outras areas, tocava bateria em 2 ou 3 bandas na altura, desde o rock e metal, ao pop e funk. Numa dessas bandas tocava com o David Maltez, a quem eu ainda hoje chamo o “Demaniaco Original”, ele era o experimentalista da banda em certa parte, alem de um excelente baixista era para mim um explorador nato de sons, sintetizadores e softwares. Ele ja fazia alguns dj sets em pequenas festas, e convidou me para colaborar nele na produção, visto que, como músicos, desde o inicio que quisemos descobrir e saber como se fazia esta “nova forma de musica”. Em 2001/2002 comecei a juntar me a ele nos dj sets onde começámos lentamente a introduzir musicas do nosso “novo” projecto: D_Maniacs (no plural).

4 - Como começaste a produzir música electrónica?

R: Comecei em 2000/2001 a brincar com o meu primeiro software de sequenciação, sozinho no meu quarto a experimentar e a tentar imitar a imensidão de musicas que ouvia nas festas e que regressavam comigo para casa, gravadas na minha cabeça. Pouco depois mais pelo final de 2001 comecei então a fazê-lo enquanto projecto mesmo.

5- De onde tiras inspiração para criar novas músicas?

R: Muito honestamente……não sei. Mesmo para mim é uma incógnita o que vou fazer a seguir. Sempre tive uma maneira muito espontânea de fazer musica, eu simplesmente “faço”. Nunca sei onde uma música minha vai parar, tenho dias bons e dias maus como toda a gente, ás vezes tou bem disposto, feliz, as vezes mal disposto, rezingão. Tudo isso passa para a musica que estou a fazer. Se tiver de mencionar uma inspiração para a minha musica, é mesmo a minha vida, e todas as experiências que tenho no decorrer da mesma.

6-Como surgiu o projecto D_Maniac?

R: O projecto surgiu em função do convite do David Maltez, como ja foi mencionado anteriormente, que na altura ja tocávamos juntos numa banda, e partilhávamos o recém descoberto entusiasmo pelo psy trance. Ele desafiou me para explorar um pouco aquele lado do electrónico com ele e tivemos muito boa química os dois, tal como ja a tinhamos na banda que integrávamos. Quando tivemos de decidir o nome, ocorreu nos algum tipo de união em torno do nome David, que era o nome proprio dele , e apelido meu. Desde sempre tivemos um lado humoristico e imprevisivel na nossa musica que classificavamos como “maniaco”. A partir daí foi algo como “1+1=2” : D_Maniacs.

7 - Quando foi o teu primeiro lançamento?

R: O meu primeiro lançamento, ao longo dos anos acabou por ganhar mais significado que nunca, foi a musica “Tryambaka & D_Maniacs - La Cosa Nostra”, em 2004, que mais tarde teve um papel fundamental na criação do meu outro projecto “Sick Addiction” e na minha enorme amizade com o Tiago Pimentel (Tryambaka).

8- Os artistas do psy trance possuem influências de outros gêneros musicais. O que te inspira fora do universo electrónico? Que outras formas de arte fazem parte do teu processo criativo?

R: Eu sou um pouco esponja nos ouvidos. Absorvo facilmente tudo o que é musica, e gosto de inumeros e variados estilos de musica, adoro musica classica, tenho uma forte veia de Metal e Rock, também gosto de algum pop, e musica contemporanea, adoro explorar musica etnica, e como marca regiões e culturas e depois também sou o gajo que presta mais atenção a banda sonora do que ao filme. Adoro as emoções que alguns simples sequencias de notas podem provocar em mim. E é esse o meu principal objectivo de tudo o que faco,

9 - Quem são as tuas influências na música?

R: Depende…..no psy-trance inicialmente o que me influenciou e motivou a produzir musica e mais tarde a querer tocá-la, foram artistas como G.M.S., Skazi, Sun Project, Talamasca, Eskimo. Mas sempre tive muitas mais influencias externas, sempre adorei misturar coisas, criar fusões de estilos musicais. Adoro Rock, Metal, Pop, Jazz, Funk, Musica Classica, musicas epicas e etnicas, e estas influencias creio terem involuntariamente um papel cada vez mais importante na minha musica, quero sempre inovar e recuso me a fazer o que já está feito, sou estupidamente obsessivo nesse aspecto comigo proprio. Hoje em dia no trance as coisas as vezes teem tendencia a tornar se um pouco repetitivas, mas gosto obviamente de ouvir, e acabo por “retirar” alguns elementos validos dos estilos que andam por ai, mas sempre com o intuito de os misturar e integrar com outras coisas, a fim de criar algo unico. No dia em que sentir que não trago nada de diferente, eu simplesmente paro, porque ja ha 350 pessoas com o mesmo som nos diversos estilos e inclusive muitos produzem-no melhor que eu. As minhas influencias são tudo o que ouvi e dancei ate hoje, e com elas apenas conto o meu lado da historia!

10 - Qual foi a actuação que mais te marcou?

R: Epá……ao longo destes 15 anos é muito dificil para mim nomear uma em particular, mas……..creio que ainda me arrepio de pensar no Freedom Festival 2007 da Crystal Matrix. Foi para mim o meu primeiro festival assim de maiores dimensoes, o meu set nao podia ter corrido melhor, tinha o conforto do meu irmão como tecnico de som, e um majestoso publico que me recebeu infindavelmente melhor do que eu alguma vez poderia ter imaginado, creio que todas estas circunstancias AINDA fazem desta uma das minhas memorias mais marcantes. Posso de resto salientar sem sombra de duvida e com muito orgulho e gratidao, que ainda hoje as minhas favoritas foram e são todas no meu Portugal!

11 - O que mantém vivo o teu amor pela música electrónica? O que tu mais gostas nas festas/festivais?

R: O que mantem o meu amor vivo pela musica, nao so a electronica mas em geral, é a propria musica. Sou hiperactivo-musical, como costumo dizer, nunca consegui tar satisfeito a fazer so uma coisa, tenho sempre 2 ou 4 projectos no activo, e tenho sempre 30 ou 40 musicas no meu disco rigido de varios estilos que ninguem ouviu. Para mim é uma necessidade absoluta meter os meus problemas, frustracoes, alegrias, tristezas, em musica. É o meu escape, o meu diario a quem confesso tudo em secretismo. Parece estupido mas é verdade, e esta necessidade mantem me em constante rotação por varios estilos de musica e ate instrumentos. A musica electronica é apenas uma fracção do que eu faço, e que me mantem motivado neste estilo, é precisamente toda a outra musica que faco, e vice versa! No que respeita a eventos, festas e festivais, com todo o respeito, nao faço grandes distinções, para mim é tudo acerca da musica e ambiente.

12 - Onde serão as tuas próximas actuações?

R: Felizmente tenho varias marcadas futuramente. No mês de Outubro vou tocar na Suiça dia 1, depois Belgica dia 14, regressando para os “anos luz” da Samaveda a 22, e mais duas festas a 29 e 31, também em Portugal, celebrando o Halloween.

13 - Quais são as novidades em relação a novos lançamentos?

R: Bem posso dizer com muito alivio e orgulho que finalmente consegui estabilizar depois de uma fase meio conturbada da minha vida, finalmente consegui montar o meu estudio como queria, num sitio estavel, depois de ter andado cerca de 5 anos quase nómada, sem condições de finalizar musicas novas e as vezes a depender do estudio de amigos para terminar alguns releases. Agora que estabilizei tenho andado a despachar material “atrasado” que por mim ja teria visto a luz do dia há muito tempo. Tenho muita coisa nova no forno, tenho agora mais umas duas ou tres musicas que iram sair em compilações incluindo colaborações com Painkiller, Zinx, Iliuchina, & Demosys. E estou muito anseoso para finalmente editar o meu segundo album Obsessions II, que se tornou uma especie de “pedra no sapato”, foi composto durante muito tempo e tem sido constantemente atrasado por circunstancias pessoais e devido a falta de meios que tive durante muito tempo, algumas destas musicas estão “feitas” desde 2010, o que chega a ser ridiculo. Mas tenho estado ja a trabalhar nas misturas finais e reajustar algumas coisas mediante tudo o que evolui e aprendi desde que o comecei, e posso não so dizer que está para breve, como estou muito mais satisfeito com ele agora do que alguma vez estive. Posteriormente ja ando a planear para 2017 começar o meu album de remixes, onde irei remisturar musicas de Skazi, GMS, Dynamic, Bliss, Painkiller, entre outros.

14- Nos últimos anos o psy trance tem vindo a crescer em Portugal o número de festas/festivais e novos artistas aumentam a "cada dia". Na tua visão, está nossa caminhada está no ritmo certo ou existe algo que poderíamos estar a fazer mais pelo crescimento da cena?

R: Eu sempre acreditei que alguma competição é saudavel, não que seja uma corrida ou que esteja a competir, mas o facto de haver muitos, faz com que (supostamente) os outros se empenhem. Acho que Portugal tem muito para oferecer a nivel de psytrance, a nivel de festas e principalmente de artistas, sou extremamente nacionalista a nivel do psy trance, porque acredito que não só temos bom, como temos de tudo, acho que rapidamente consigo nomear um artista portugues decente para qualquer tipo de trance que proponham. Poderia indicar aqui algumas coisas que eu pessoalmente nao concordo ou não apoio, mas creio que iriamos chegar a conclusão que seria mesmo uma questão de opinião ou gosto. Mas vou no entanto apontar que grande parte dos pontos negativos das festas, tanto a nivel de promotores duvidosos, como djs do mp3 pirata, produtores que assumem que fazer musica é dominar software e nao aprender mesmo musica, como decoradores de tela branca e fio de pesca e todos os possiveis exemplos com que ja me cruzei ao longo do tempo, se resumem a pessoas a tomarem atalhos duvidosos, quando na verdade as coisas boas e bem feitas dao luta e exigem empenho de nós, para mais tarde serem então recompensatórias.

15 - Quais são os teus hobbies quando não estás a produzir música ou a viajar?

R: Sou uma pessoa um pouco minimalista e talvez aborrecida nesse aspecto, os meus hobbies são essencialmente outras formas de musica e instrumentos musicais, sou capaz de estar horas sentado na bateria que realmente é o instrumento e forma de expressao com que mais me identifico e adoro, também gosto de estar com os amigos sem nenhum cenário preferencial, e os meus gatos, adoro passar o meu tempo livre com eles, eles são fundamentais na minha vida e ajudam me imenso a manter me são e calmo atraves de alguns periodos mais complicados.

16- Que expectativas tens para esta edição dos 9 Anos Luz? E quais são as emoções que tencionas provocar aos ravers na tua actuação?

R: Os anos luz é uma festa um pouco especial para mim, porque em Outubro celebro também o meu aniversário pessoal, e também o aniversario do projecto D_Maniac enquanto projecto solo, foi em Outubro de 2005 que tomei as rédeas do projecto. Alem disso mantenho uma otima relação profissional com a Samaveda, tenho tido a felicidade de me incluirem em varios line ups deles ao longo dos anos, e é para mim motivo de orgulho continuar a ter a confiança deles em mim. Em ultima nota, o cartaz tá muito ao meu gosto por isso não poderia pedir melhor aniversario para todos. No que respeita ao meu set, vou tocar maioritariamente musicas novas, mas preparei algumas coisas de maneira a lembrar algumas musicas mais antigas de tempo a tempo ao longo da actuação. Espero que gostem.

Vamos finalizar com uma mensagem para os teus fãs/seguidores.

Creio que apenas posso agradecer do fundo do coração, por todos estes anos de apoio, de devoção, por serem grande parte da motivação, por vezes sem saberem, tive uma fase muito negra da minha vida, em que ponderei ate o fim do projecto, e posso dizer mesmo que foi o publico que me puxou para cima e me motivou, quando eu ja planeava apenas cumprir datas previamente marcadas. Essa é uma divida que nunca vou conseguir repagar ao “meu” publico, mas posso garantir a mesma sinceridade comigo proprio e com eles que sempre mantive ate aqui. Eternamente grato, e orgulhoso por conseguir tocar as pessoas com a minha mensagem. Obrigado

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