Amantes do Trance

1 - Como a música chegou à tua vida?
Obviamente toda a gente ouve música desde pequeno, e eu não fui excepção. Quando penso nisso lembro me do meu Pai ouvir alguns vinis antigos lá em casa que talvez estejam gravados no meu inconsciente. Ele gostava de Zeca Afonso, Amália, etc...música portuguesa no geral. Na minha juventude bombava muito Korn e Slipknot e Limp Bizkit, por isso acabei por ser influenciado pelo meu irmão mais velho que me levou à Ilha do Ermal para vê-los. Ouvia também Mind Da Gap e Xulage e DIlema na onda nacional.
Aos 13 anos comecei a gostar de electrónica e tirei um curso de DJ no Marco de Canaveses. Ai comecei a ouvir muito House, depois evolui para o Techno Jeff Miles, Dave Clark, Plastic Man, Marco Carola, Carl Cox e mais agressivo DJ Rush. Mais tarde frequentei bastantes festas de Drum´n ´bass, ainda no HArd CLub antigo, no Porto. Finalmente, com 17 anos, Trance Psicadélico. Paralelo a isto ia ouvindo Chill out e Trip-hop e coisas aleatórias que os amigos partilhavam.
A cena electrónica ocupou muito da minha cultura musical e as vezes sinto que perdi um bocado com isso.

2- Qual foi a festa em que te estreaste como DJ ?
Não me lembro muito bem, tinha uns 13 anos (agora tenho 28) e toquei numa disco, numa festa de final de período, talvez. Curioso que muito no início da minha carreira partilhei a cabine com o DJ Link, um dos DJs nacionais mais conceituados na cena Techno. Lembro me de estar na pista e ele esticar me a mão para me entregar o meu vinil que tinha acabado de tocar.

3 - Como foi o início da tua carreira?
Aos 13 anos comecei a gostar de electrónica e tirei um curso de DJ no Marco de Canaveses. A cena era House, tocava nas festas da escola (era a loucura) depois evolui para o Techno (cheguei a ir à última Electro Parade, no Porto). Imagina, Infected Mushroom tocaram lá, isto em 2004 acho, e eu nem os conhecia. Só soube mais tarde que tinham tocado lá.
Em 2005 tive uma namorada mais velha que me introduziu a festas alternativas como o Drum´n´bass e Trance Piscadélico. Frequentávamos as festas na noite do Porto com os amigos. E comecei a introduzir estas vertentes nos meus Sets. Fui com ela à primeira festa de Trance em Valongo e a partir dai fiquei na cena Trance. Ainda fomos ao Freedom 2005, o único para nós.

4 - Como começaste a produzir música electrónica?
Isso aconteceu na Faculdade. Entrei para o curso de Som e Imagem em 2005 e conectei me com uns amigos que produziam techno minimal. Como ainda não tinha percebido bem qual era a minha carreira experimentei produzir umas malhas. Gostei muito do resultado. Agradou-me muito a possibilidade de me poder expressar criativamente. A partir dai tem sito uma viagem incrível, sempre a aprender e a evoluir.

5- De onde tiras inspiração para criar novas músicas?
Bem, é inevitável dizer que a inspiração principal ainda vem de artistas bons, do género que produzo. Seja Goa ou Forest. É muito bom fechar os olhos e ouvir uma música a rasgar de um artista que já tem muita escola na produção. Mas não há nada como um PA bom e uma pista cheia, com os amigos e viajar num Live, numa festa qualquer. No Boom 2014 houve uma noite de Forest da Parvati Records. Como estava mesmo muito cansado levei o saco cama para a parte de trás da pista onde tinha umas árvores. Comprei uma piza e aterrei lá! Pensei: “Mesmo que não esteja acordado, a cena fica-me no inconsciente!” A verdade é que acordei as 6h da manhã quando o som mudou.
Para alem disso inspira-me a natureza, os padrões das flores e folhas e árvores, o Sol. Inspira-me também mestres espirituais como Osho ou Mooji ou Alan Watts e Terance Mckenna. Que me elevam a percepção da realidade e me impulsionam a criar algo com esses sentimentos elevados do que é a existência. Tenho uma música “Moon Energy” que foi mesmo feita sobre a influência da energia da lua!

6-Como surgiu o projecto Astronative?
Surgiu ainda na faculdade quando comecei a produzir. Uma vez fan das festas de Trance, não fazia sentido produzir mais nada. Ainda troquei umas impressões com o produtor Spector dos Açores, que me ajudou numas cenas. Depois viagei para a Indonésia, Índia uns anos e as coisas mudam de ritmo. As vezes mais produtivo, outras menos. Mas acho que vou produzir a minha vida toda.

7 - Quando foi o teu primeiro lançamento?
O primeiro foi de uma faixa de Chill Out com um projecto Radialógica que agora já não está ativo. Na cena Trance já tive alguns pedidos mas ainda não lancei nada. Tudo a seu tempo.

8- Os artistas do Psy Trance possuem influências de outros gêneros musicais. O que te inspira fora do universo electrónico? Que outras formas de arte fazem parte do teu processo criativo?
Como já referi atrás a natureza, o yoga e a meditação, são grandes fontes de inspiração.
Gosto de dançar, cantar e pintar. Isso ajuda-me na expressão pessoal e a libertar sentimentos que não se expressam através da música.
Para alem disso toco vários instrumentos, desde a Bansuri, Deedj, Jambé, Guitarra, Shruti box, Taças Tibetanas e Gongos e tenho dois .

9- Qual foi a actuação que mais te marcou?
Em Live, toquei no pré-parking do Boom em 2014, organizado pela Pink Sheep. Ter um publico cosmopolita foi interessante. Já se respirava o energia do Boom!
Como DJ set fechei uma festa da KArmaGuardians em Valongo. Nessa altura o Goa ainda era pouco conhecido. Diverti-me bastante a tocar assim umas malhas e roçar o Goa e a ver alguns espertos a sorrir e a mexer.

10 - O que mantém vivo o teu amor pela música electrónica? O que tu mais gostas nas festas/festivais?
Acho que o Trance Psicadélico com todas as suas variantes tem um poder grande shamânico de cura e de elevação de consciência. Sinto que era inevitável que este tipo de som se fizesse. Tinha de ser...com a combinação da tecnologia com o conhecimento musical criou-se um som que tem algo profundamente transformador. Aliado a substancias de alteração de consciência, conseguiu-se um formula mágica para quebrar barreiras mentais e do sistema. Quantas epifanias, quantos corações abertos, quanta alegria, quantas conversas interessantes já aconteceram nessas festas de trance por este mundo fora? É muito isso que me inspira. A vida é um mistério e é muito bom tentar perceber, nem que seja um bocadinho , em que é que se baseia esta existência.

11 - Onde serão as tuas próximas actuações?
Toquei bastante com o meu projecto de chill out Saki (soundcloud.com/sakisounds) este verão e tive algumas atuações como AstroNative. Mas para já estou sem nenhum booking. Devo assinar pela Space Music Drops e para Dezembro talvez toque numa festa deles.

12- Quais são as novidades em relação a novos lançamentos?
Para já estou a descansar nas produções e em Setembro viajo para a Califórnia onde faço grande parte do dinheiro que me ajuda a sustentar o ano todo. Quando chegar em Dezembro penso nisso e vejo a situação.
Devo bombar mais com o Goa e Chill out.
Mas assim quentinho está uma colaboração de Forest com o Gadhabba que promete mesmo! Bem-haja ao Manuel por tudo!

13- Nos últimos anos o psy trance tem vindo a crescer em Portugal o número de festas/festivais e novos artistas aumentam a "cada dia". Na tua visão, está nossa caminhada está no ritmo certo ou existe algo que poderíamos estar a fazer mais pelo crescimento da cena?
O caminho certo ou errado é relaivo. Por mim tínhamos “saltado” estes 5 ou 6 anos de full on nocturno a toda a hora. Mas para outros, e com respeito, esse era o caminho certo.
Portanto defendo a diversidade. A possibilidade de haverem festas variadas onde se pode curtir de tudo. O problema é que se tem de pagar o PA e os artistas, etc. Mas com boa vontade tudo de faz.
Graças a Shiva, esses anos culturalmente escuros em Portugal, abriram-me horizontes e então fui ao Antaris 2009, 2011 e 2013, Ozora 2009 e 2011,Transilvania 2011, e por cá o Boom claro desde 2006.
Quanto à cena dos novos artistas, é fixe poderem haver labels e promotoras a dar força á cena nacional. Malta unir-se, partilhar e crescer juntos. Esquecer a competição e partilhar informação. Por isso criei a pagino do Fb “Chill Out Portugal”, com o intuito de impulsionar e unir a cena chill out portuguesa. Bem-haja aos que já o fazem.

14 - Quais são os teus hobbies quando não estás a produzir música ou a viajar?
Gosto de Yoga e meditação. Dou uns concertos meditativos com Gongos, Taças tiibetanas e Hang Drums.
Gosto de cantar e pintar.
Também tenho uma horta. Gosto muito de semear coisas e plantar. Andar na terra com os pés descalços. Passeio na floresta a apreciar a natureza. Gosto de ler algumas coisas esporadicamente.

15- Mesmo dentro do psy trance alguns estilos acabam por ser mais populares do que outros. Um exemplo é o Full on, Progressivo ou Dark que se vêm tornando mais comuns nas festas. Como vês a actual cena do Goa Trance em Portugal? É possível relatar uma considerável evolução nos últimos anos?
A cena Goa está a crescer (finalmente) Temos o OSG que já bomba a uns anos, onde toquei com os dois projectos este ano (Grande bem haja para eles). O grande ZNA com é obvio. E o próprio Boom que trás Djs alternativos e impulsiona a cultura nacional. É bonito ver como Portugal se está a transformar. Parece me ser um pais de Trancers e a coisa não vai morrer. Agora só pode é melhorar. A cena trance tem muita coisa boa e parece que aos poucos estamos a abrir para perceber isso. E que com essa mudança venha também a mudança de valores na pista. Reviver o verdadeiro PLUR. E venha quem vier , é isso que se sente quando o PA começa a bombar um bass 303 e o Calé sorri para a malta aos saltos!

16- Vamos finalizar com uma mensagem para os teus fãs/seguidores
Grande bem haja pela força. Ultimamente tenho sentido o calor no coração ao tocar nas festas a ver sorrisos. Gratidão pelas palavras boas que dão força para continuar. Para aqueles que não conhecem deixo os links dos meus projetos.
O projecto de Forest e GoaTrance: LINK
O meu outro projecto de chill out: LINK

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