Amantes do Trance

 A música é minha porta de entrada para consolo.

Eu questiono tudo menos o som e agradeço ao mistério e à magia da pureza audível.

 

 

 

1- Antes de mais, há quanto tempo és DJ? E o género foi sempre Psytrance?

Comecei a mixar Darkpsy, Forest e Progressivo no final de Agosto de 2016 enquanto vivia no Porto. Pouco tempo depois comecei a produzir. O meu projecto “Neptunya” terá sempre como base o Psytrance, mas estou no processo de começar um segundo projecto com menos BPM’S mas que abraça o meu lado mais lento e profundo.

 

2 -Quando o psytrance chega às nossas vidas, entra nas nossas mentes e cresce dentro de nós. Lembras-te como a música entrou na tua vida? Quantos anos tinhas?

A música tem sido a única constante na minha vida desde que me recordo. Quando era criança foi a sua presença que me guiou até à paz em momentos de caos e instabilidade; por tudo isso levo a música junto ao meu coração.
Estava sempre a cantar, a descobrir e a gravar música nova. A música era e é a minha melhor amiga e dediquei muito tempo a familiarizar-me com ela.
Infelizmente, eu não tinha os meios financeiros para aprender a tocar um instrumento que era essencialmente o meu sonho quando era criança, mas hoje em dia eu vejo que este objectivo é mais fácil de se concretizar eletronicamente.

 

3 – Lembras-te da tua primeira festa como DJ? Dirias que foi a mais impactante/importante? Se não, qual foi?

A minha primeira vez a tocar para um público foi no “Hard Club” no Porto. Foi uma experiência tanto incrível como assustadora! Para alguém que vive com transtorno de ansiedade foi um momento muito importante e introspectivo para mim ter tido a capacidade de partilhar as minhas músicas preferidas com o público sem ter fugido em pânico.
Posso dizer que para mim cada actuação é tão excitante como a primeira e aquelas “borboletas no estômago” é, e será sempre uma constante. Dito isto, eu actuei em algumas festas incríveis na India onde o público emana imensa energia e demonstra estar verdadeiramente em ligação com a música e cultura trance.

 

 

 

 

4 – Os artistas de Psytrance costumam ter fortes influências de outros géneros musicais. O que te inspira fora do mundo da música electrónica? Que outros tipos de arte ajudam o teu processo criativo?

Eu cresci na música com estilos como o House, Hip-Hop, Breakbeat e Ambient. Como criança tive a sorte de ter sido exposta a vários géneros que tiveram influência na pessoa que sou hoje. Como adolescente estive muito ligada à cultura do Metal, tal como alguns estilos de rock com base no Gótico e no Grunge. As minhas origens e influências são tão vastas que acaba por ser muito difícil definir um género como o meu favorito.
Em relação a outros tipos de arte, a poesia é a que mais amo. A escrita é para mim a maneira que eu tenho para me expressar completamente sem limites.
Estes dois tipos de arte (escrita e música) andam de mão dada como a base de uma comunicação não-verbal. São criadas como um veículo diretamente do escritor/músico para o público.

 

5 – A partir de contactos com artistas, produtores, labels e outros, alguns terão certamente ficado como amigos ou mentores. Gostarias de falar um pouco sobre isso?

Não poderia deixar de mencionar o produtor português Lab (o meu parceiro no crime) como sendo um grande mentor para a produção musical e uma fonte de conhecimento e de informação sobre a história do Darkpsy como um todo no seu país de origem.
A “Urban Antidote Records” tem sido uma label incrível para fazer parte desde o início da minha jornada como DJ e estou grata por ter assinado com eles (obrigado Igor)!
A cena psytrance como um todo está repleta de almas incríveis, e sempre que contactei outros produtores para obter dicas, conselhos e críticas construtivas, os meus inquéritos foram sempre recebidos com interesse e boa vontade genuína.

 

6- Gostarias de colaborar com algum artista em especial? Porquê?

Isso é uma pergunta muito difícil porque a minha lista de colaborações que gostava de ter é muito extensa. Um deles seria o Xenomorph, um reconhecido produtor alemão e engenheiro de masterização de Darkpsy. Todas as tracks antigas dele têm uma maneira de chamar a minha atenção, levando-me a níveis mais profundos de curiosidade em relação a assuntos da vida e do mundo. Admiro uma qualidade de som de alto nível que possa levar qualquer ouvinte à hipnose.
A segunda escolha seria a Z-Cat da Rússia. Adoro o seu estilo de produção, a sua habilidade de criar Live Sets que variam entre vários estilos e que são adequados tanto para a noite como para a manhã. É dos poucos produtores a gravar várias samples de áudio da sua própria voz que depois adapta criando um magnífico “flow” feminino de sons que podem levar um dancefloor à loucura.

 

 

7- Quais os próximos passos a tomar em relação ao teu projecto?

Estou a planear dedicar mais tempo e energia à produção musical do que em tocar. Tenho umas quantas tracks com colaborações para terminar e espero lançar o meu próprio EP num futuro próximo.
Uma das notícias mais excitantes será divulgada recentemente nas redes sociais. Um projecto planeado e ao qual dediquei muito esforço e paixão e que espero que seja bem recebido! Fiquem atentos…

 

8- Como te descreverias uma palavra, frase, citação ou música?

Psykovsky – “Only Love We Will Take”

 

9- Nos últimos anos a cena Psytrance tem crescido por todo o mundo. No teu ponto de vista a nossa jornada está com o ritmo certo ou há algo que achas que deveríamos fazer para aumentar o nosso crescimento?

Pessoalmente, penso que existe uma enorme diferença entre as festas mainstream e os encontros mais privados e íntimos. Alguns de nós comem, dormem e respiram Psytrance, mas para outros, é simplesmente um passatempo de fim de semana para fugir da mundanidade do dia-a-dia. Não posso julgar pessoalmente as opiniões e as ações dos outros, porque, no fim de contas, todos entramos na cena Psytrance à sua maneira.
A viagem e o destino de cada pessoa são únicos, e o valor mais importante na cultura do trance (na minha opinião) é que nos respeitemos, independentemente dos subgéneros com que nos relacionamos mais.
Uma aumento da popularidade do Psytrance começou a tornar-se um problema quando o principal objetivo é o ganho financeiro, usando a música como desculpa para se desperdiçar ou tratar as festas como uma “passarela”.
Não nos podemos esquecer que o Psytrance é para ser um refúgio para os “freaks”, os proscritos e as pessoas “normais”… Se este conceito for virado de cabeça para baixo, perderemos uma grande parte da nossa alma.

 

11- Foi um prazer contar com a tua colaboração nesta entrevista!
Queres deixar umas palavras à comunidade Psytrance portuguesa para terminar?

Obrigado por me darem a oportunidade de mostrar um pouco sobre mim e a minha visão! Gostei muito das perguntas e diverti-me imenso a responder.
A cena Psytrance portuguesa é admirável no sentido em que muitas pessoas são amigas umas das outras e as festas são desenvolvidas com sucesso. Há um forte sentido de comunidade e uma vibração globalmente positiva nas festas em todo o país. Penso que a cena irá ainda mais longe, permitindo aos recém-chegados mostrarem as suas ideias e partilharem a sua energia nas festas, e garantindo que as timetables e line-ups são melhoradas em termos de ordem e estilo para dar aos encontros uma delicadeza extra.
Um grande abraço a todos os organizadores e “trancers” que me acompanharam durante os meus sets em Portugal, voltarei a vê-los em breve. Até já!

 

 

 

 

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