ENTREVISTA #90 MAGNODUM

“QUEBRA-GELO”... EM GERAL, O QUE DESEJAMOS COM ESTE TIPO DE COMUNICAÇÃO NÃO É FAZER PUBLICIDADE OU PROPAGANDA, MAS SIM CRIAR UMA HISTÓRIA DO MUNDO DO PSYTRANCE, QUEM SÃO AS SUAS PERSONAGENS E PROTAGONISTAS ATUALMENTE, E COMO SERÃO DAQUI POR 10 OU 20 ANOS. POSTO ISTO, É CLARO QUE TU ÉS PARTE DA HISTÓRIA DESTA COMUNIDADE, QUE CONTA COM UMA IMENSIDÃO DE PESSOAS INIGUALÁVEIS.

Entrevista exclusiva com
MAGNODUM

1- Antes de mais, há quantos anos és Dj? E sempre no género de psytrance?

R: Primeiramente obrigado pelo interesse e pela abertura.

Comecei a me interessar pelo "djing" desde meu primeiro contacto com a música eletrónica.

Desde aquela altura houve um desejo motivado pelas experiências e sensações que a música transmitida pelos djs me traziam e trazem até hoje.

Mas foi no ano de 2008, depois de um longo caminho que tive a primeira oportunidade em atuar como dj, já em terras lusitanas.

O estilo que me atraiu ao universo da música eletrônica foi desde sempre o psytrance.

2- Quando o mundo do psytrance aparece nas nossas vidas, generalizando, arrebata-nos e vai crescendo em nós. Recordas-te de como esta música/mundo chegou à tua vida? E quantos anos tinhas?

R: De facto, partilho desta mesma perspectiva.

A musicalidade, a cultura, a arte e tudo que envolve o movimento psicodélico trouxeram para minha vida algo novo e como bem colocaram, arrebatador e que tem vindo a crescer e a evoluir com o passar dos anos e das experiências vividas.

Na verdade, creio que este movimento me ajudou a abrir um pouco mais os os olhos, a mente e espírito para uma realidade mais humana transcendental e mesmo espiritual. Abriu-me a importância e urgência da consciência ambiental, do respeito mútuo, da auto-consciência, assim como da consciência coletiva, pacífica, compassiva e da autenticidade.

Tive meu primeiro contacto com o movimento em meados de 2002 ainda no Brasil, meu país de origem, através de amigos um pouco mais velhos que já haviam sido “infectados”(hehehe).

Nesta altura , ainda com os meus 16/17 anos de idade.

3- Recordas-te em que festa te estreaste como Dj? Dirias que essa foi a atuação que mais te marcou?

R: A primeira festa em que me apresentei como dj foi a "Private Moon" organizada pela querida Full Moon Culture no Muralhas Rock bar em Cascais.

Sem dúvidas esta foi, por ser a primeira e por toda a emoção e ansiedade que envolveu, uma festa que me marcou muito. No entanto, a recente passagem de ano 2018/2019 onde atuei na mítica "Trance Odyssey" organizada pela bem conhecida Crystal Matrix talvez tenha sido a festa, que até então, mais me marcou.

4- De contactos como artistas, produtoras, organizadores e outros, existem sempre alguns que tornam importante amigos ou mentores, gostarias de referir alguns?

R: Creio que fazemos parte de uma teia universal de inter-conectividade e inter-dependência que torna a vida um mar de possibilidades e cada um de nós temos grande importância no caminho e processo uns dos outros.

Neste sentido poderia nomear alguns , o que para mim não seria “justo” pelo facto de reconhecer a importância de amigos, publico, familiares, artistas, organizadoras, promotores, etc...

De qualquer forma sou imensamente grato aos amigos que me apresentaram a cena e as organizadoras que reconheceram meu trabalho e que têm me dado oportunidade de expressar o meu amor a cena através da musicalidade psicodélica.

5- Quando estás em palco, quais são as emoções e pensamentos que mais tens presentes?

R: Vivo um misto e sensações, pensamentos e emoções que são difíceis de colocar em palavras...

Mas o êxtase talvez seja o estado mais pulsante.

Um amor genuíno que encontra expressão através da intenção que carrego em cada atuação.




6- Gostarias de colaborar com algum artista em especial?

R: Ouço música diariamente, muitas horas por dia...

São muitos os nomes que me inspiram e admiro e que por este motivo me impossibilitam de responder a esta pergunta com um ou dois nomes.

Mantenho-me aberto e feliz em cada possibilidade de parceria e colaboração

7- Quais são os seus três álbuns favoritos de todos os tempos?

R: O meu primeiro e mais marcante albúm foi o “Voices of Madness - PSYCHOTIC MICRO vs AZAX SYNDROM" realizado pela grande Parvati Records no ano de 2003.

Em segundo , um álbum que me trás memórias marcantes e inesquecíveis é o “Midnight storm V3 Gate os force” compilado pelo Sul Africano Chris Hoy aka SHIFT através da Nexus Media no ano de 2008.

Em terceiro e igualmente marcante , inclusive pelo momento de “retorno” do meu projeto e pela mensagem que é transmitida e que encontra ressonância em minha intenção e visão está o EP “Música psicodélica Futurista” de MPF, ainda na época integrado pelos meus conterrâneos Rafael Corrales aka VIA AXIS e o grande e igualmente inspirador Daniel Bertini aka PROAGRESSIVO / TEOREMA, (hoje sendo a mente por de trás do projeto MPF) realizado pela admirável SANGOMA RECORDS no ano de 2018.

8- Tens algum próximo passo pensado para o teu projeto? O que se segue?

R: Bem, tento levar minhas intenções, ideias e ideais alinhados a pureza do amor e gratidão que sinto pela cena, sem me preocupar muito com o que vem a seguir.

No entanto, desde que voltei a atuar enquanto dj , minha proposta e aspiração tem sido de resgatar e expressar através da música a essência e psicodelia que me atraíram desde o início.

Sinto-me apaixonado desde sempre por este universo e pretendo manter-me fiel aos princípios e ética que o movimento me transmitiu desde sempre.

O que vem a seguir, somente o tempo, dedicação, trabalho, oportunidades e reconhecimento dirão.

9- Se pudesses escolher qualquer lugar no mundo para tocar, onde seria?

R: Sou encantado pelas belezas naturais do nosso planeta e pela sintonia que os festivais, festas e ravers transmitem
O oriente sempre me atraiu neste sentido e poder levar minha história e musicalidade para países como a Indonésia, India, Nepal, seria mais um sonho realizado.

10- Obrigado por te juntares a nós nesta entrevista, queres deixar algumas palavras à comunidade psytrance portuguesa antes de terminarmos?

R: Gostaria de agradecer a esta comunidade psytrance portuguesa que tanto me ajudou a ampliar meus conhecimentos , minas vivências e experiências.

Foi através da beleza que encontrei na cena portuguesa que pude desenvolver, amadurecer e de certa forma me encontrar enquanto ser humano.

Que possamos carregar e honrar os princípios e a essência ritualística, que foram desde o surgimento deste movimento, a pureza, o alicerce e a força.

Foto de Jonka Photography

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