ENTREVISTA #86 NINESENSE

“QUEBRA-GELO”... EM GERAL, O QUE DESEJAMOS COM ESTE TIPO DE COMUNICAÇÃO NÃO É FAZER PUBLICIDADE OU PROPAGANDA, MAS SIM CRIAR UMA HISTÓRIA DO MUNDO DO PSYTRANCE, QUEM SÃO AS SUAS PERSONAGENS E PROTAGONISTAS ATUALMENTE, E COMO SERÃO DAQUI POR 10 OU 20 ANOS. POSTO ISTO, É CLARO QUE TU ÉS PARTE DA HISTÓRIA DESTA COMUNIDADE, QUE CONTA COM UMA IMENSIDÃO DE PESSOAS INIGUALÁVEIS.

Entrevista exclusiva com Ninesense

1- Como é que a música entrou na tua vida ?

Hello

R: Sempre tive musica em casa desde pequeno.  Das melhores memórias que tenho da minha vida são os dias em que juntava-se a família e amigos e ouvíamos álbuns de Beatles, Led Zepplin, etc.  Uma coisa que me lembro bem é de ouvir um vinil de Robert Plant numa tarde de sol e acho q foi das primeiras vezes que a música mexeu comigo naquele sentido de \m/ rock n roll.  Varias vezes em casa metia-mos as colunas na janela e eu e os meus irmãos ia-mos lá para fora ouvir música! Bons tempos.  O meu pai que foi um dos maiores exemplos e influencias para mim, tocava musica (guitarra e baixo) em bandas como os Alabote e os The Bats, foi através de música q ele conheceu a minha mãe e é por isso que estou aqui hoje. Sempre olhei para isso com admiração e decidi seguir nos passos musicais dele. Os meus dois irmãos também tocam e já tiveram várias bandas como Sentment Seeders, Achen’ Hole Sinners, Yellow Stone, Ghost 24 e Mademoiselle.  Tudo projectos que admiro, e sinto-me com muita sorte de estar rodeado de música a vida toda.

2- Há quanto tempo és Dj ?

R: Acho que fiz o meu primeiro DJ set com um amigo Tiago Matos (UnXp) numa discoteca nos Açores que se chamava Fluxo. Devia ter por aí uns 17 ou 18 anos.  Mas a primeira vez que tive a experiencia de mixar tinha cerca de 14 anos e foi com um primo meu que me mostrou umas Technics 1200 e uns vinis de house e techno.  Demorou um bocado a atinar mas adorei a sensação de ter um kick na ponta dos dedos e mais ainda o sentido de realização quando finalmente encaixei duas musicas! Não faço DJ sets à uns tempos se bem que espero voltar a isso, mas produzir música ocupa-me o tempo todo, mexer em botões e efeitos e luzinhas e por ai a diante.

3- Quais são algumas das tuas influencia no musicais ?

R: Começando por Beatles, Led Zeppelin para a altura de Alice in Chains, Pearl Jam, Soundgarden, Tool, Perfect Circle, Nine Inch Nails para Deftones, Pantera, Type o Negative etc. A lista nunca mais acabava 🙂 Em música eletrónica comecei por ouvir Sasha, John Digweed, Daft Punk, Chemical Brothers, Prodigy e depois numa bela noite em 2001 descobri o trance psicodélico que me mudou a ideia completamente da música.

4- Qual foi o teu primeiro lançamento ?

R: Foi um EP chamado Seed of Sounds do meu projecto que tinha antes que se chamava Manipulation.

5- Como é que foi o teu início de carreira ?

R: Antes da música eletrónica fazia música para uma banda com guitarra e cantava, acho que tinha cerca dos 15 anos quando tivemos o nosso primeiro concerto. Na parte do trance comecei a tocar acho que em 2006.  Aí fazia DJ sets e então lá pelo meio metia uma música ou outra minha para ver se era alguma coisa de jeito.  Fazer música no quarto de cama só para os meus botões deixava-me duvidas, então fiz assim para ver se não levava com um tomate na cara.  Mas surpreendentemente, a primeira vez que toquei um tema meu que o dance floor aderiu até mais comparado com o resto das músicas que estava a tocar  (talvez foi da minha imaginação).  Essa sensação trouxe-me um bocado de coragem e aí continuei.

6- Como é surgiu o projecto Ninesense?

R: Este projecto foi uma continuação de outro projecto que tinha antes como referi acima. Andei à procura de algo que pudesse fazer e soubesse fazer. Então andei alguns anos a estudar áudio para ter uma base confortável para produzir. Apaixonei-me pelo Psytrance, pela felicidade que trás ás pessoas, pelas mensagens positivas que se recebem em festivais tanto como de tratar-nos bem uns aos outros, nos tratar-mos bem a nós mesmos e ao planeta onde vivemos.
Então a minha missão musical e acredito que a de muitos que fazem musica é de poder ajudar a quem participa, a ter um espaço no tempo em q possam descontrair, esquecer um bocado as preocupações do dia a dia e conseguirem viver ali e no momento.




7- Onde é que encontras inspiração  para a tua música ?

R: Nunca encontrei inspiração talvez da maneira como outros músicos ou criadores encontram. Nunca me surgiu uma luz e tive uma ideia mágica. Quando começo a trabalhar em algum projeto, a inspiração vem… depois de começar a fazer uma musica vem ideias para a continuar.  Claro que a vida em geral é a inspiração e música é uma maneira de transmitir sentimentos em forma de ondas sonoras, mas as ideias vêm-me consoante o dia a dia… e os sons que vou fazendo vão consoante os pensamentos e emoções, por isso acho q cada música é uma história complexa.

Ah, e Aliens… claro 🙂

8- Como é que te sentiste na primeira vez que pilotaste a nave ?

R: Nervoso, o que acontece todas as vezes ainda hoje. Mas depois de uns 10 minutos passa e partir daí tento entrar em comunicação com o dance floor.  É uma magia que acontece e das coisas q mais gosto de fazer.

9- Quando é que foi o teu primeiro contacto com o Psytrance ??

R: Através de uma cassete q um amigo trouxe de Lisboa para os Açores praí em 2001, ouvi Trance Psicadélico pela primeira vez… na praia, à noite, com amigos a dançar à noite à volta de um radiozinho com umas colunas pequenas e quadradinhas. Mete isso tudo em slow motion, e foi isso… mudou-me a vida.

10- Qual é que foi a atuação que mais te marcou ?

R: Já tive várias que me deixaram memórias incríveis, em lugares lindos e com pessoas fantásticas!  Mas a mais recente que me marcou foi o ano passado no Boom Festival. Nunca tinha tocado para tanta gente, o que pensava que me ia deixar extremamente nervoso, mas fiquei contente de ver que foi exactamente ao contrário. As pessoas no dance floor e a crew de palco que me ajudou a ligar as cenas, deixaram-me super à vontade. Foi respirar fundo e siga festa para a frente. Adorei.

11- O que mais te surpreende nas nossas reuniões ?

R: É um lugar para expressão artística e também de troca de ideias interessantes e alternativas e em geral as pessoas são simpáticas umas com as outras, têm respeito pelo espaço onde estão e também pelos espaços mentais uns dos outros.  Lembro-me do primeiro festival grande que fui, estar sentado na areia e ver milhares de pessoas a dançar a passar perto de uma pirâmide de pedras que tinham lá feito à beira do dance floor e de ficar de boca aberta como ninguém derrubava esse montinho de pedras. Foram estes detalhes e outros que me fizeram adorar a cultura do Trance Psicadélico.

12- Nos últimos anos o psy trance tem vindo a crescer em Portugal o número de festas/festivais e novos artistas aumentam a "cada dia". Na tua visão, esta nossa caminhada está no ritmo certo ou existe algo que poderíamos estar a fazer mais pelo crescimento da cena?

R: Eu não sou a pessoa mais indicada para falar do trance em Portugal porque não estou muito informado.  Gosto de ir tocar ou ir dançar com amigos mas de resto não sei muito mais pois passo a maior parte do tempo no estúdio de cabeça enfiada a laia de Mad Scientist ou tentando sincronizar com o sol ou as estrelas no meio de algum festival. Mas a nível do psytrance e/ou musica especialmente eletrônica acho que o futuro é bom porque estamos a acompanhar as mudanças no mundo e as mudanças na tecnologia.  É incrível como o som tem subido de qualidade que hoje em dia ouço musicas de amigos e fico sempre sem saber “como é q ele/ela fez isso!!”. É um caminho sem fim e tenho sorte de o poder navegar.

13- Obrigado por te juntares a nos nesta entrevista, queres deixar algumas palavras à comunidade psytrance portuguesa antes de terminarmos?

R: Curte, vive o presente e sonha com o futuro

Party On

Entrevista por Pedro Lima