ENTREVISTA #85 LAB

“QUEBRA-GELO”... EM GERAL, O QUE DESEJAMOS COM ESTE TIPO DE COMUNICAÇÃO NÃO É FAZER PUBLICIDADE OU PROPAGANDA, MAS SIM CRIAR UMA HISTÓRIA DO MUNDO DO PSYTRANCE, QUEM SÃO AS SUAS PERSONAGENS E PROTAGONISTAS ATUALMENTE, E COMO SERÃO DAQUI POR 10 OU 20 ANOS. POSTO ISTO, É CLARO QUE TU ÉS PARTE DA HISTÓRIA DESTA COMUNIDADE, QUE CONTA COM UMA IMENSIDÃO DE PESSOAS INIGUALÁVEIS.

1-Antes de mais, há quantos anos és Dj? E sempre no género de psytrance?

R: Comecei por ser Dj em festas de escola, mais na vertente Hard-Techno, House e derivados, por volta do ano 2000. Antes disso já produzia algumas coisas.

2-Em algum momento descobriste que gostavas de compor música, quando foi? E sempre no género de psytrance?

R: 1998 comprei o meu primeiro computador (um Pentium 800) , com o intuito de produzir usando o software Propellerheads Rebirth. Algum tempo antes disso tive contacto produção de Hip Hop, só à base de loops e isso despertou qualquer coisa em mim. O próximo passo foi comprar o computador e começar a experimentar. Psytrance só comecei a produzir em 2005, antes disso era Liquid DNB, Deep House, Chill Out, etc...

3-Recordas-te em que festa te estreaste como Dj? Dirias que essa foi a atuação que mais te marcou, ou qual?

R: A primeira vez que toquei live-act  foi em Portugal, em 2005. Não posso dizer que tenha sido a actuação que mais me marcou, porque a seguir vieram os melhores tempos.

Muitas actuações me marcaram durante os anos, mas sem dúvida que tocar no festival Midnight Sun, na Noruega foi das melhores e mais incríveis experiências que já tive em toda a minha carreira. Muitas festas em Goa também me marcaram, pelo ambiente , sítio e música ao meu gosto. O Festival Freqs Of Nature, Modem, Ozora, todos experiências incríveis que me vão marcar para sempre!

4-E qual foi o teu primeiro lançamento ?

R: Em 2006, como LAB foi no VA - Twisted Flavors, pela D.A.R.K Records no Canadá.

Antes disso lancei outras músicas com outros nomes, mas não em psytrance.

5- Os artistas do psytrance possuem influências de outros gêneros musicais. O que te inspira fora do universo eletrónico? Que outras formas de arte fazem parte do teu processo criativo?

R: Sempre fui amante de metal pesado. Death, Black, Grind e todos esses. Drum and Bass também tem uma grande parte na minha vida, e influência bastante a minha música. Por outro lado também gosto de música calma e Smooth, Chill, Lounge, Liquid DNB entre outras.

6- O que mantém vivo o teu amor pelo Trance ?

R: Primeiro que tudo, a produção. Não há nada que me dê mais gosto que fazer músicas que me fazem vibrar quando as produzo.

Tocar novas produções ao vivo, e ter uma boa resposta do público é outra das motivações para continuar.

E claro, ter a oportunidade de viajar pelo mundo fora e conhecer os sítios incríveis que já conheci, e ainda vou conhecer, graças ao Trance !




7- No que toca à produção, dedicas-te todos os dias a fazer música? Quanto tempo, geralmente, demoras a criar um som/track completo?

R: Sim, geralmente abro o Cubase todos os dias , salvo raras excepções!

O tempo de criar uma track, quanto mais sabes mais tempo demoras a criar (a meu ver). Actualmente, demoro entre 40hr a 60hr a completar uma faixa (incluindo mix final, master, e vários testes ao vivo).

E na verdade é um processo que nunca tem fim, porque é sempre possível melhorar mais.

8- Tens algum próximo passo pensado para o teu projeto? O que se segue?

R: Para LAB, o próximo passo vai ser uma Tour na Índia, em Fevereiro. A ser fechada também a tour no Brasil em Abril e México em Junho.

Musicalmente, tenho varias tracks prestes a sair, nomeadamente pela Insomnia Rec, da Russia, e pela Label que assino, Deviant Force, da Alemanha.

Em paralelo vou também apresentar o meu novo projecto de Forest “Bosmer”, no Festival Karacus Marakus, em Goa!

9- Nos últimos anos o psy trance tem vindo a crescer em Portugal o número de festas/festivais e novos artistas aumentam a "cada dia". Na tua visão, está nossa caminhada está no ritmo certo ou existe algo que poderíamos estar a fazer mais pelo crescimento da cena?

R: Na minha sincera opinião, o trance estava melhor sem “crescer” tanto, isto se crescer significam festas maiores com line ups mais comerciais. Acho que o trance não é suposto ter tanta visibilidade e mover tanta gente, afinal de contas é um género Underground!

Acho muito melhor uma festa com menos gente e um line up mais cuidado (sendo a música o principal motivador para toda a gente lá ir) do que um “Festão” de 5000 pessoas, onde mais de metade não estão la pela música, mas sim por muito outros motivos que não o principal. (Música)

Queria também dizer que, 23 horas de Full-On e 1 hora de Darkpsy, em que o live de Dark toca as 00h (quando não esta ninguém) como costuma ser tradição, para mim não passa de desperdício de dinheiro e tempo do artista em questão … Mais valia não trazer ninguém 🙂

10- Tens algum conselho para os artistas de trance em ascensão?

R: Sim! Ouçam muita música, sejam humildes, aceitem críticas e sugestões e deixem o ego de lado, porque só assim vão chegar longe! A produção só evolui quando interagimos com outros que já o fazem há mais tempo, portanto é usar as oportunidades o melhor possível e pensar sempre que podemos fazer melhor!

11- Obrigado por te juntares a nos nesta entrevista, queres deixar algumas palavras à comunidade psytrance portuguesa antes de terminarmos?

R: Obrigado eu pelo convite! Uma última nota para a comunidade psytrance portuguesa, que já foi referida por outros: Existem muitos bons artistas sem oportunidade de tocar, devido á quantidade de “amigos” da organização. Talvez fosse altura de começarem a olhar para o trabalho efectivo das pessoas, e não ás amizades. Toda a gente vai lucrar com isso, mas maioritariamente o público, que não tem que ouvir a mesma coisa novamente em todas as festas.

Entrevista por Pedro Lima