ENTREVISTA #82 MAD SCIENTIST

“QUEBRA-GELO”... EM GERAL, O QUE DESEJAMOS COM ESTE TIPO DE COMUNICAÇÃO NÃO É FAZER PUBLICIDADE OU PROPAGANDA, MAS SIM CRIAR UMA HISTÓRIA DO MUNDO DO PSYTRANCE, QUEM SÃO AS SUAS PERSONAGENS E PROTAGONISTAS ATUALMENTE, E COMO SERÃO DAQUI POR 10 OU 20 ANOS. POSTO ISTO, É CLARO QUE TU ÉS PARTE DA HISTÓRIA DESTA COMUNIDADE, QUE CONTA COM UMA IMENSIDÃO DE PESSOAS INIGUALÁVEIS.

Entrevista exclusiva com MAD SCIENTIST

1- Antes de mais, há quantos anos és Dj? E sempre no género de psytrance?

R: Como Mad Scientist desde 2012 mas já fazia djset para uma rádio na Roménia (Darktale Radio) desde 2009, onde mixava um pouco de todos os géneros do psy trance e outras vertentes.

2- Em algum momento descobriste que gostavas de compor música, quando foi?

R: Descobri que gostava de compor música depois de passar ano e meio isolado numa antiga casa dos meus pais onde pouco ou nada tinha para fazer, um amigo meu que era produtor de hip-hop partilhou comigo um programa de produção musical e como tinha muito tempo livre decidi tentar.

Foi nesse momento que descobri que gostava, porque dia após dia a vontade de estar em frente ao computador a descobrir todo um mundo novo só aumentava.

3- Recordas-te em que festa te estreaste como Dj? Dirias que essa foi a atuação que mais te marcou, ou qual?

R: Foi numa festa pequena entre muitos amigos em Torres Vedras mas como estreia mesmo do Live foi no Opart nas docas de Lisboa, em uma festa repartida entre a Digital Oracle e a Space Invaders que era um pequeno núcleo de amigos (eu, Andre Mimic Vat e Rodrigo Akés).

Não foi a atuação que mais me marcou apesar de ser um das que mais gosto de recordar, a que mais me marcou foi sem dúvida a Noise Poison 2014 por várias razões sendo uma delas o facto de estar entre todos ou quase todos os produtores que admiro e que me inspiraram para chegar até aqui.

4- Os artistas do psytrance possuem influências de outros gêneros musicais. O que te inspira fora do universo eletrónico? Que outras formas de arte fazem parte do teu processo criativo?

R: Ouço um pouco de tudo e quase tudo o que ouço me da idéias para experimentar e tentar algo novo, gosto de quebrar barreiras e procurar sempre um pouco mais além, parte do meu processo criativo é isso mesmo, criar algo novo ou diferente misturando vários elementos de diferentes géneros musicais.

Gosto de produzir tendo em conta que podemos levar sempre o género um pouco mais longe e gosto de ajudar o género a evoluir.




5- No que toca à produção, dedicas-te todos os dias a fazer música? Quanto tempo, geralmente, demoras a criar um som/track completo?

R: Gostava de ter tempo para me dedicar todos os dias mas já não consigo por diversas razões sendo a principal o facto de ter sido pai este ano.

Depende muito de como me sinto e da motivação, já fiz tracks em 3/4 dias, como também já fiz tracks que demoraram quase um ano para ficarem concluídas.

6- Quando estás em palco, quais são as emoções e pensamentos que mais tens presentes?

R: A emoção é a mesma de à 6 anos atrás, fico muito feliz de fazer o que gosto e de poder partilhar isso com pessoas do mundo inteiro e receber toda aquela energia.

Pensar só no momento mesmo, vivo com muita força na hora de subir ao palco e na maior parte das vezes nem consigo pensar, é mais a preocupação de querer que tudo corra bem.

7- Gostarias de colaborar com algum artista em especial? Porquê?

R: Há vários, dentro do psytrance seria um sonho realizado colaborar com artistas como Kindzadza ou Furious porque são as minhas referências principais à muitos anos, fora do psytrance gostava de um dia colaborar numa track com Billx porque é um dos meus produtores favoritos no genero Hardtek/Frenchcore.

8- Se pudesses escolher qualquer lugar no mundo para tocar, onde seria?

R: Japão!!! Sou apaixonado pela cultura japonesa e tenho muita vontade de tocar lá um dia!

9- Nos últimos anos o psy trance tem vindo a crescer em Portugal o número de festas/festivais e novos artistas aumentam a "cada dia". Na tua visão, esta nossa caminhada está no ritmo certo ou existe algo que poderíamos estar a fazer mais pelo crescimento da cena?

R: Poderia haver mais oportunidade para géneros/artistas mais "underground" como o High-Tech ou Darkpsy, Portugal é considerado uma meca do Trance e podíamos ter uma cena maior e mais bem servida se não fossem sempre os mesmos a tocar à anos!
Faltam organizações com uma visão diferente a não ser a de lucrar com line-ups repetidos ano após ano.

10- Obrigado por te juntares a nós nesta entrevista, queres deixar algumas palavras à comunidade psytrance portuguesa antes de terminarmos?

R: Obrigado eu por este convite!

E sim, gostava de dizer à comunidade portuguesa de psytrance que há mais vertentes sem ser o Full On nocturno!

Abram as vossas mentes a novas experiências e a novas frequências, só assim podemos construir uma cena que receba todos os Amantes do Trance.