ENTREVISTA #80 AKÉS

“QUEBRA-GELO”... EM GERAL, O QUE DESEJAMOS COM ESTE TIPO DE COMUNICAÇÃO NÃO É FAZER PUBLICIDADE OU PROPAGANDA, MAS SIM CRIAR UMA HISTÓRIA DO MUNDO DO PSYTRANCE, QUEM SÃO AS SUAS PERSONAGENS E PROTAGONISTAS ATUALMENTE, E COMO SERÃO DAQUI POR 10 OU 20 ANOS. POSTO ISTO, É CLARO QUE TU ÉS PARTE DA HISTÓRIA DESTA COMUNIDADE, QUE CONTA COM UMA IMENSIDÃO DE PESSOAS INIGUALÁVEIS.

Entrevista exclusiva com AKÉS

Sinto que esta vai ser uma entrevista interessante! Vamos começar...

1- Como é que a música entrou na tua vida?

R: Desde muito novo gostei de música rock. Tenho dois irmãos mais velhos que tocavam guitarra elétrica e tinham uma banda. Eu assistia muitas vezes aos ensaios e ouvia muitos dos CDs que eles compravam. Cheguei a ter umas pequenas aulas de guitarra e piano. Quando tinha 13 anos comecei a ouvir música eletrónica e hip-hop. Foi também nessa altura que os meus irmãos me deram o meu primeiro software de produção musical, o Fruity Loops.

2- Quais são algumas das tuas influências na música?

R: Admiro imensos músicos e bandas, e aprecio variados estilos musicais. Nomes como Metallica, Nirvana, Slipknot, e SOAD marcaram muito a minha infância. Hoje ouço projetos como Bonobo, Koan Sound e Gramatik. No psytrance aprecio muito o estilo de Ocelot, Cyberhen, Kindzadza, Ajja, ManMadeMan, e muitos outros.

3- Qual foi o teu primeiro lançamento?

R: A primeira vez que lancei uma música foi em 2008, em uma compilação da Psymoon Records. Poucos meses depois, já em 2009, lancei o meu primeiro EP Death Drones, na Electricmoon Records.

4- Como é que foi o teu início de carreira?

R: Aos 14 anos comecei a produzir música no Fruity Loops por influência dos meus irmãos. Os primeiros trabalhos que fiz foram músicas de hip-hop, trip-hop e outros alternativos.

Por volta dessa idade, ouvi psytrance pela primeira vez enquanto convivia com amigos. Gostei logo dos sons que me tinham dado a conhecer. Decidi experimentar produzir esse género, e até hoje nunca mais parei de o fazer.

5- Como é que surgiu o projeto Akés?

R: Quando comecei a produzir música, ainda antes de produzir psytrance, tive a necessidade de ter um nome para apresentar os meus trabalhos na internet. Após várias tentativas e ideias que não me satisfaziam, por coincidência ao assinar o meu apelido Alves, escrevi algo que se lia: Akes. Foi aí que decidi que seria esse o nome.




6- Onde é que encontras inspiração para a tua música?

R: Gosto de implementar ideias novas na minha música. Mas muitas vezes não posso ficar a espera que me surjam ideias, ou sentir-me inspirado para produzir. Acredito que para se ter sucesso é preciso trabalhar, mesmo em tempos difíceis. As ideias irão surgir à medida que se vai trabalhando.

7- Como é que te sentiste na primeira vez que pilotaste a nave?

R: A primeira vez foi como um realizar de sonho. Esse sonho foi contruído graças à ajuda de bons amigos que me ajudaram a montar uma festa ao ar livre em 2009. Era a comemoração do meu aniversário. Foi aí que toquei pela primeira vez. Foi graças a essa festa que fiz os primeiros contactos com pessoas que já iam a festas há muitos anos e alguns que também as faziam. Nessa festa convidaram-me para tocar num outro evento umas semanas depois.

8 - Como é que foi o teu primeiro contacto com o trance?

R: O primeiro contacto com o trance já tinha acontecido quando tinha 14 anos e ouvi as primeiras músicas com amigos. Mas foi só em 2006 que fui à primeira festa. Eram os Infected Mushroom no Club Lua, no Jardim do Tabaco.

9- Qual é que foi a atuação que mais te marcou?

R: A atuação que mais me marcou foi a atuação live de Ocelot no festival Freaks Blast, passagem de ano 2007/2008. O estilo dele marcou-me pois fiquei fascinado pela construção de som e a sonoridade futurista.

10- O que é que mantém o teu amor pelas festas/festivais ao vivo?

R: A energia, o convívio, a dança, a união e a aceitação. Quem presencia sabe que é algo único. É algo que nos permite libertar do quotidiano, da realidade do “mundo lá fora”, de nos soltarmos e vivermos mais alegres. Há quem diga que o trance é uma família, e de certa forma é verdade.

11- Nos últimos anos o psytrance tem vindo a crescer em Portugal, o número de festas/festivais e novos artistas aumentam a "cada dia". Na tua visão, esta nossa caminhada está no ritmo certo ou existe algo que poderíamos estar a fazer mais pelo crescimento da cena?

R: Eu creio que crescimento leva a evolução. Em Portugal existem e existirão mais artistas e promotores que irão deixar a sua marca. Depende sempre se estão ou não a contribuir de maneira positiva. Há que olhar sempre para os novos projetos e apoiar todos quanto possível, e não permitir que o movimento fique estagnado, mantendo sempre a qualidade que todos esperam e merecem.

12- Obrigado por te juntares a nos nesta entrevista, queres deixar algumas palavras à comunidade psytrance portuguesa antes de terminarmos?

R: Aproveitem a vida ao máximo, com qualidade e moderação. Sigam e apoiem os vossos artistas favoritos, principalmente os Portugueses. O trance depende de todos nós. E cada um de nós é capaz de fazer a diferença.

Entrevista de Pedro Lima