ENTREVISTA #79 LAZY MAN aka KUTANIMAL

“QUEBRA-GELO”... EM GERAL, O QUE DESEJAMOS COM ESTE TIPO DE COMUNICAÇÃO NÃO É FAZER PUBLICIDADE OU PROPAGANDA, MAS SIM CRIAR UMA HISTÓRIA DO MUNDO DO PSYTRANCE, QUEM SÃO AS SUAS PERSONAGENS E PROTAGONISTAS ATUALMENTE, E COMO SERÃO DAQUI POR 10 OU 20 ANOS. POSTO ISTO, É CLARO QUE TU ÉS PARTE DA HISTÓRIA DESTA COMUNIDADE, QUE CONTA COM UMA IMENSIDÃO DE PESSOAS INIGUALÁVEIS.

Entrevista exclusiva com LAZY MAN aka Kutanimal

Sinto que esta vai ser uma entrevista interessante! Vamos começar...

1- Antes de mais, há quantos anos és Dj? E sempre no género de psytrance?

R: Comecei a tocar no ano 2000, o meu primeiro cd na cd case foi o primeiro release da label Portuguesa Flow Records foi uma oferta da Good Mood compilation, chamada CHANGE e realmente mudou tudo e sim comecei por psychedelic trance e ainda contínuo.

2- Quando o mundo do psytrance aparece nas nossas vidas, generalizando, arrebata-nos e vai crescendo em nós. Recordas-te de como esta música/mundo chegou à tua vida? E quantos anos tinhas?

R: Sim tinha 16 anos e descobri uma cassete em casa que não sei de onde veio com malhas de Astral Projection e Oforia, um ano mais tarde fui à minha primeira festa com Dj Domino, Reek e Clarence uma festa da Good Mood, dedicada ao lado feminino do psytrance o primeiro feeling que tive na festa foi que afinal não estou louco ou sozinho há mais como eu.

3- Recordas-te em que festa te estreaste como Dj? Dirias que essa foi a atuação que mais te marcou, ou qual?

R: A primeira vez que toquei com público à frente?
Recordo me como se fosse hoje foi uma private party numa vivenda enorme e eu era o Dj de warm up, toquei o primeiro set e os djs principais chegaram atrasados e já com os copos vinham a fazer a festa pelo caminho e ao chegar ouviram o que eu tava a tocar (as malhas preferidas deles Tim Schuldt, 4carry Nuts, Paps, Yumade e companhia), curtiram tanto que chegaram perto de mim de disseram "olha estão aqui as nossas cd cases escolhe o que quiseres e toca até te fartares) acabei por tocar 8horas seguidas.




4- Tens algum próximo passo pensado para o teu projeto? O que se segue?

R: Sim tenho várias tracks em compilações que estão prestes a sair e um Ep que estou a acabar.
Em termos de gigs estou preparar a primeira tour pelo México em Abril de 2019.

5- No que toca à produção, dedicas-te todos os dias a fazer música? Quanto tempo, geralmente, demoras a criar um som/track completo?

R: Todos os dias não, só porque não tenho tempo, a vida em Londres é sempre a fundo e ya fica difícil produzir todos dias.

Conforme, se tiver inspirado consigo fazer em 12 horas mais ou menos, a parte criativa depois a mix um par de dias ou seja track completa 100%, entre uma semana e 3 meses depende da inspiração.

6- Os artistas do psytrance possuem influências de outros gêneros musicais. O que te inspira fora do universo eletrónico? Que outras formas de arte 
fazem parte do teu processo criativo?

R: Em termos de música um pouco de tudo desde do Metal ate à World Music mas sem dúvida que o Reggae/ Dub o Hip hop/ Trip Hop e o Punk sao as maiores influências desde sempre.

Actualmente ouço muito Breakcore/ Glitch Hop/ Bass Music/ Mid tempo e sem dúvida que me inspira outra forma de arte que é grande parte da minha vida é o Skateboard.

7- De contactos com artistas, produtoras, organizadores e outros, existem sempre alguns que se tornam importantes, amigos ou mentores, gostarias de referir alguns?

R: Sem dúvida em Portugal o Paulo Aka Xamã Cirkus, sempre me impressionou muito com os seus dj sets e depois de o conhecer foi o que mais me deu apoio nos meu projectos, quer como dj ou como organizador de eventos ele sempre me ajudou!

Gostava de mencionar também o Miguel Aka Mad Scientist que o conheco antes de ser o Mad Scientist e tiro-lhe o meu chapéu, sempre foi e continua a ser humilde apesar do talento que tem sempre me deu apoio em tudo, música e organização de eventos.

Fora de Portugal o Alex aka Audiopathik e a sua Label Pleiadian Records desde 2005, que me apoia com tudo e me assinou como Pleiadian Dj em 2007 não por ser meu amigo, mas por ter ouvido o meu set ao fim de 2 anos de amizade o que me deu ainda mais prazer... porque assinou-me não por "cunha", mas por reconhecer o meu trabalho.

8- Gostarias de colaborar com algum artista em especial? Porquê?

R: Humm sim claro eheheh, Kindzadza por ser o produtor que mais admiro e segundo Fractal Cowboys por serem uma dupla bem criativa e uma fonte de inspiração.

9- Se pudesses escolher qualquer lugar no mundo para tocar, onde seria?

R: Tenho uma pancada por tocar em Israel (já tive um booking que acabou por ser cancelado), o que reforça a minha vontade de ir e gostava de tocar no Midnight Sun Festival pela localização, experiência e também onde tenho parte das minhas raizes... Moçambique.

11- Em uma palavra, frase, citação ou música, como te descreverias?

R: Dance like no buddy is watching.

12- Nos últimos anos o psy trance tem vindo a crescer pelo mundo fora, o número de festas/festivais e novos artistas aumentam a "cada dia".
Na tua visão, esta nossa caminhada está no ritmo certo ou existe algo que poderíamos estar a fazer mais pelo crescimento da cena?

R: A meu ver o que está a acontecer era inevitável, a comercialização do PsyTrance... Por um lado é bom, por outro é mau, eu não sei onde vamos parar, mas uma coisa é certa vamos rápido eheh, só gostava que muitos artistas e organizadores tivessem menos EGO e mais humildade não fazia mal nenhum à nossa cena.

13- Obrigado por te juntares a nos nesta entrevista, queres deixar algumas palavras à comunidade psytrance portuguesa antes de terminarmos?

R: Infelizmente desde que saí de Portugal estou meio desligado da cena aí, mas posso dizer que tenho saudades e gostava muito de poder voltar e apresentar a minha música ao fim de tantos anos!

Bem haja Love and Light Lazy Man aka Kutanimal.