ENTREVISTA #3 – SAMAVEDA

1- Como surgiu a Samaveda ? E em que ano foi fundada?

R: Após alguns anos a frequentar eventos de música psicadélica e depois de realizar pequenas festas , um grupo de amigos decidiu juntar-se para fazer uma única festa “Melodies from another world”. Com este evento pretendíamos transmitir a nossa visão enquanto público, daquilo que para nós seria uma boa reunião.
Para nosso espanto este evento foi um sucesso e a vontade de continuar este caminho surgiu naturalmente.
Em 2007 nasceu a Samaveda, nome de origem indiana, que significa “sabedoria das melodias”, com a missão de trazer um novo conceito para este movimento.

2- Quem são os seus principais membros e quais os seu papéis ?

R: A Samaveda é acima de tudo uma família, família essa que continua a crescer ao longo dos anos.
Somos vários membros, todos eles essenciais e imprescindíveis para o bom funcionamento dos nossos eventos.
Pedro e Carolina são os mentores e criadores deste projeto que trabalham e coordenam a equipa que faz tudo acontecer.

3- Quais são os pontos chave que não devem ser deixados de lado na realização de um evento?

R: Cada evento requer preocupações específicas, sendo que, a grande constante neste trabalho é a preocupação com o gosto do público e o seu bem-estar nas nossas festas.
Para além disto o mais importante é garantir que o evento decorra dentro de toda a legalidade que o mesmo exige e que esteja garantida toda a logística necessária para o seu bom funcionamento.

4- Como é visto por vocês a realização de cada evento ? É um gasto ou um investimento?

R: Como é lógico um evento não se resume a um gasto ou investimento... É um todo bem mais complexo, que trás consigo conhecimento e com isso evolução.
Nem todos os nossos projetos tiveram o resultado esperado mas o importante é, sem dúvida, aprender com os erros para melhorar numa próxima.
Não podemos dizer que foi fácil todo este percurso, mas depois de nove anos em que muitos obstáculos foram superados, estarmos aqui hoje é sinónimo de muita dedicação e empenho em prol deste movimento.

5- Quais são os maiores desafios para organizar um evento com a envergadura do Insomnia Festival ? Qual o foco principal ?

R: A caminho da 5ª edição do Insomnia, podemos afirmar que o aspeto mais importante a ter em conta num festival é a segurança.
Este Insomnia foi a prova disso, ter todos os meios como bombeiros, polícia, sapadores e proteção civil coordenados com a organização, num período em que toda a zona geográfica da Serra da Estrela se encontrava em alerta amarelo, foi sem dúvida uma mais valia.

6- Em termos de estrutura qual o patamar que vocês almejam chegar ? O que vocês sonham ter nos vossos eventos num futuro próximo?

R: O nosso maior sonho era fazer um festival, foram precisos anos de aprendizagem para sermos capazes de dar este passo. Idealizamos e criamos o Insomnia para ser realizado no Parque de Campismo de São Gião e é aqui que pretendemos continuar. Apesar de neste momento o festival já ter atingido a sua lotação não pretendemos mudar de sítio com a ambição de nos tornarmos num festival maior (em número de pessoas). Preferimos continuar aqui o nosso trabalho melhorando de ano para ano as condições do festival em si.

7- Como funciona o processo de seleção de Djs internacionais e nacionais ?

R: Uma vez que continuamos a fazer parte do público não é difícil estarmos atualizados em relação aos artistas. Ao longo dos nossos eventos tentamos diversificar as escolhas e dar a conhecer ao público novos projetos, no entanto esta seleção por vezes prende-se com o próprio tema da festa.

8- Os eventos organizados por vocês certamente causam algum impacto no local onde é realizado e por isso é essencial que se preocupem com causas ambientais. Como é que vocês cuidam desse aspecto?

R: O impacto ambiental é sempre um aspecto importante, temos consciência que este tipo de eventos tem sempre impacto no meio ambiente.
Desta forma tentamos minimizar os riscos, não realizando eventos em zonas protegidas e deixando os espaços que usamos tal como nos foram entregues, limpos e sem vestígios.

9- Que balanço fazem do panorama atual do trance nacional ? O que acham que poderia mudar(no sentido de melhorar o trance em Portugal)?

R: O panorama do Trance em Portugal está em constante evolução e podemos considerar que o balanço tem sido positivo nos últimos anos.
Chegamos a essa conclusão porque frequentamos muitas festas e vemos que em geral, a qualidade dos eventos produzidos pelas organizações mais conceituadas em Portugal estão cada vez melhores comparando com outros anos. As condições gerais dos eventos, a qualidade da arte psicadélica e visionária que se promove é sem dúvida melhor.
Os artistas em geral e mais especificamente os decoradores de eventos, os produtores de música e os djs também fazem um grande e importante trabalho para que essa evolução aconteça no sentido positivo.
Em relação às mudanças, elas vão sempre acontecer naturalmente e vão também depender da criatividade de todos os envolvidos no movimento. Só temos que estar atentos para dar o melhor que acontece no movimento ao nosso público, nas melhores condições.

10- Para finalizar deixem uma mensagem para o público.

R: Para o público teremos sempre uma mensagem especial de gratidão por ao longo de todos estes anos terem feito com que a nossa missão continue viva e a fazer todo o sentido, afinal de contas o propósito é desfrutarmos todos de momentos mágicos em união.

Terminada esta entrevista resta-me agradecer e muito por responderem às minhas questões e, acima de tudo, pela disponibilidade.

OBRIGADO Pedro Kafar e Visualab Decor ❤️

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